OPME: o que é e como funciona na prática médica

OPME apareceu na guia TISS ou no orçamento de uma cirurgia e você não sabe se precisa preencher algo diferente? OPME é a sigla para Órteses, Próteses e Materiais Especiais — uma categoria própria de insumos de saúde, com codificação, fluxo de autorização e faturamento distintos do procedimento médico em si.

O que entra em cada categoria

  • Órteses: dispositivos que dão suporte, correção ou imobilização sem substituir um segmento do corpo — placas, hastes, fixadores externos, coletes.
  • Próteses: dispositivos que substituem uma estrutura perdida ou ausente — próteses articulares, valvas cardíacas, próteses de mama pós-mastectomia, marca-passos.
  • Materiais especiais: insumos usados no procedimento que não se enquadram nas categorias acima — stents, telas cirúrgicas, cimentos ósseos, fios de sutura especiais.

Nem todo material usado em cirurgia é OPME — instrumental de uso rotineiro e de baixo custo do procedimento entra no pacote do próprio ato médico.

Onde a OPME aparece na tabela TUSS

Na Terminologia Unificada da Saúde Suplementar (TUSS), OPME tem grupo próprio de codificação, separado da tabela de procedimentos médicos. Isso significa que, ao solicitar uma cirurgia com uso de material especial, o médico ou a instituição precisa informar o código do procedimento e, separadamente, o(s) código(s) de OPME correspondente(s) — cada item com sua própria descrição e código na tabela da ANS.

Por que a solicitação de OPME trava mais que a de procedimento comum

  • Justificativa clínica obrigatória: a operadora pode exigir relatório médico detalhando a indicação do material, não só o código.
  • Marca e fabricante: algumas operadoras pedem que o médico indique 3 marcas/fabricantes equivalentes, para permitir cotação — prática usada para evitar direcionamento de compra.
  • Prazo de análise próprio: solicitações de OPME de alta complexidade têm prazo de resposta da operadora diferente do de consultas e exames simples, regulado pela ANS.
  • Auditoria mais frequente: por ser insumo de custo elevado, OPME é um dos itens mais auditados nas contas hospitalares, o que aumenta o risco de glosa quando a documentação é incompleta.

O que colocar no pedido para reduzir glosa e atraso

Item O que informar
Procedimento cirúrgico Código TUSS do procedimento principal
Material solicitado Código TUSS de OPME + descrição técnica (tamanho, tipo, quantidade)
Justificativa clínica Diagnóstico, indicação cirúrgica e por que aquele material específico é necessário
Marca/fabricante 3 opções equivalentes, quando solicitado pela operadora
Documentos de apoio Exames de imagem, laudos ou relatório médico que sustentem a indicação

Perguntas frequentes

OPME só existe em cirurgia ortopédica?

Não. É comum em ortopedia (próteses, placas), cardiologia (stents, marca-passos, valvas), cirurgia vascular (endopróteses) e mastologia (próteses mamárias), entre outras especialidades que usam implantes ou materiais especiais.

Quem preenche a solicitação de OPME, o médico ou o hospital?

A indicação clínica e a justificativa são responsabilidade do médico assistente. O hospital ou a central de materiais geralmente cuida da parte administrativa — código, cotação de fornecedores e envio à operadora — mas a base de tudo é a documentação médica.

Existe um código único de OPME para cada material?

Não necessariamente todo material tem um único código universal entre operadoras, mas a referência técnica é a tabela TUSS da ANS, que padroniza a nomenclatura e o código de cada item — é essa tabela que deve ser consultada antes de enviar a solicitação.

A documentação que sustenta um pedido de OPME — relatório, indicação, evolução do caso — é boa parte do trabalho manual do consultório. Escrever esse relatório a partir do que já foi dito na consulta, em vez de do zero, é um dos usos da Solara, que transforma o áudio do atendimento em rascunho de documento clínico.