SIGTAP: o que é e como consultar a tabela do SUS

SIGTAP é a Tabela de Gerenciamento de Procedimentos, Medicamentos e OPM (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) do SUS. É nela que o Ministério da Saúde define, para cada procedimento pago pelo sistema público, o código, a descrição, a complexidade e os valores de repasse — e é essa tabela que alimenta os sistemas de faturamento de hospitais, UPAs, UBS e clínicas conveniadas ao SUS.

O que o SIGTAP define para cada procedimento

Cada código SIGTAP carrega várias informações amarradas ao mesmo procedimento:

  • Código de 10 dígitos, organizado por grupo, subgrupo e forma de organização (ex.: consultas, cirurgias, exames).
  • Complexidade: atenção básica, média ou alta complexidade.
  • Instrumento de registro: qual sistema deve lançar aquele procedimento — BPA, APAC ou AIH (veja a tabela abaixo).
  • Valores de repasse: SP (Serviço Profissional, o valor pago ao médico/profissional que executa), SH (Serviço Hospitalar, valor pago ao estabelecimento) e SA (Serviço Ambulatorial, custo ambulatorial do procedimento).
  • CBO e CID compatíveis, quando aplicável — o sistema recusa combinações incoerentes (ex.: um procedimento cirúrgico lançado com CID de consulta de rotina).

A tabela é atualizada mensalmente por competência pelo DATASUS, então o mesmo código pode ter seu valor de repasse revisado de um mês para o outro.

Onde consultar

A consulta pública é feita diretamente no site do SIGTAP mantido pelo DATASUS (sigtap.datasus.gov.br), por código, nome do procedimento ou CBO do profissional. O sistema mostra a ficha completa do procedimento, incluindo valores vigentes na competência selecionada e o histórico de alterações.

Os três instrumentos de registro

Instrumento Nome completo Quando usar
BPA Boletim de Produção Ambulatorial Procedimentos ambulatoriais de rotina — consultas, curativos, pequenos procedimentos
APAC Autorização de Procedimento Ambulatorial de Alta Complexidade Procedimentos ambulatoriais de alta complexidade e tratamentos continuados (ex.: quimioterapia, hemodiálise)
AIH Autorização de Internação Hospitalar Toda internação hospitalar, incluindo cirurgias com leito

Escolher o instrumento errado é uma causa comum de glosa em faturamento SUS — o procedimento pode até estar corretamente codificado, mas lançado no sistema errado.

SIGTAP x TUSS x CBHPM: qual usar

Essas três tabelas resolvem o mesmo problema — padronizar procedimentos — mas para públicos diferentes:

SIGTAP TUSS CBHPM
Mantida por Ministério da Saúde / DATASUS ANS AMB e federações médicas
Escopo Rede SUS (pública) Saúde suplementar (planos privados) Referência de honorários privados
Define valores? Sim, valores de repasse do SUS Não define preço, só padroniza o código Sim, via fator de conversão negociado

Um médico que atende tanto SUS quanto convênio/particular convive com as três tabelas ao mesmo tempo — cada uma com sua lógica de codificação e faturamento.

Perguntas frequentes

SIGTAP e TUSS têm os mesmos códigos?

Não. São tabelas independentes com numeração própria. Um mesmo procedimento clínico tem um código no SIGTAP (para faturar SUS) e outro, diferente, no TUSS (para faturar convênio).

Quem é responsável por atualizar o código no sistema da clínica?

Normalmente o setor de faturamento ou o prontuário eletrônico integrado, que importa a tabela atualizada do DATASUS mensalmente. O médico não precisa memorizar códigos, mas entender a lógica evita glosas por procedimento mal descrito no registro clínico.

Um procedimento pode sumir da tabela?

Sim — o SIGTAP desativa códigos obsoletos e cria novos por competência. Um procedimento lançado com código desativado é rejeitado ou glosado.

Documentar bem o que foi feito na consulta — motivo, conduta, procedimento realizado — facilita a codificação correta por quem fatura depois. É esse tipo de registro que a Solara ajuda a manter completo e no padrão certo, gravando a consulta e gerando a documentação clínica automaticamente.