Escala de dor (EVA): como documentar no prontuário

Registrar a intensidade da dor como número, não como "paciente refere dor", é o que separa uma evolução auditável de uma vaga — e a Escala Visual Analógica (EVA) é a ferramenta mais usada para isso, por ser rápida de aplicar e comparável entre uma avaliação e outra.

Por que documentar a dor de forma estruturada

  • Melhora ou piora fica objetivo entre plantões diferentes — sem escala, "melhorou" para um médico pode ser "piorou" pelo critério de outro.
  • É o dado que sustenta a conduta analgésica registrada — o registro aqui é da observação e da decisão tomada, não uma prescrição de tratamento em si.
  • Em auditoria ou judicialização, "dor 8/10, sem registro de reavaliação em 12h" é um problema; "dor 8/10 às 14h, reavaliada em 6/10 às 20h após conduta X" é defensável.

Como aplicar a EVA na prática

  • Pergunte: "de 0 a 10, sendo 0 nenhuma dor e 10 a pior dor imaginável, quanto é a sua dor agora?"
  • Registre o número, não só a descrição ("dor forte", "dor leve") — a escala existe justamente para tirar a subjetividade da linguagem.
  • Reavalie e registre de novo após qualquer intervenção (medicação, procedimento), dentro do intervalo esperado de efeito.
  • Em paciente que não consegue verbalizar (rebaixamento do nível de consciência, criança pequena), troque por escala observacional/comportamental e diga isso no registro — não force EVA numérica onde ela não se aplica.

Modelo de registro na evolução

AVALIAÇÃO DE DOR

Data/hora: [DD/MM/AAAA HH:MM]
Escala usada: EVA (0–10) [ou escala comportamental, se paciente não verbaliza]
Intensidade referida: [0–10]
Localização: [local]
Característica: [em queimação / em pontada / em cólica / outra]
Fator de melhora ou piora: [descrever]
Conduta registrada: [medicação/procedimento realizado, horário]
Reavaliação prevista: [horário]
Reavaliação realizada: [nova nota, escala e horário]

Perguntas frequentes

EVA é a única escala válida?

Não. Para perfis específicos existem outras (numérica verbal, de faces para crianças, comportamental para não comunicantes) — o importante é registrar qual escala foi usada e manter consistência com ela no acompanhamento do mesmo paciente.

Preciso justificar por que escolhi determinada escala?

Não é obrigatório, mas ajuda: uma linha como "criança de 3 anos, usada escala de faces" evita que outro profissional estranhe a ausência de EVA numérica no registro.

Isso serve para dor aguda e dor crônica?

O princípio (registrar intensidade de forma estruturada e reavaliar) vale para as duas, mas dor crônica geralmente pede também o impacto funcional (sono, atividade) além do número da escala.

Escrever essa reavaliação de forma estruturada, consulta após consulta, é exatamente o tipo de repetição que consome tempo do médico. A Solara transforma o áudio da consulta em evolução organizada nesse formato, sem tirar o foco do paciente.