Passagem de plantão: como documentar com o método SBAR
Passagem de plantão mal feita é uma das causas mais estudadas de erro assistencial evitável: informação relevante fica na cabeça de quem sai, não no papel, e quem entra reconstrói o caso do zero sob pressão. A Organização Mundial da Saúde recomenda a comunicação estruturada nas transições de cuidado como uma das soluções para segurança do paciente, e o formato mais usado para isso é o SBAR. Veja como aplicar.
O que é o SBAR e por que ele funciona
SBAR é a sigla para Situation, Background, Assessment, Recommendation — em português, Situação, Histórico, Avaliação e Recomendação. A OMS lista a comunicação padronizada durante handoffs entre as soluções para segurança do paciente, justamente porque reduz a chance de informação crítica se perder na troca verbal entre equipes. O ganho não é burocrático: é dar à próxima equipe um formato previsível, onde ela sabe exatamente onde procurar cada dado.
Checklist SBAR para passagem de plantão (artefato copiável)
PASSAGEM DE PLANTÃO — SBAR
Paciente: [NOME] | Leito/setor: [LOCAL] | Data/hora: [DATA/HORA]
S — SITUAÇÃO
[ ] Diagnóstico ou problema ativo principal
[ ] O que mudou nas últimas horas (piora, melhora, evento novo)
B — HISTÓRICO (BACKGROUND)
[ ] Motivo da internação/admissão
[ ] Comorbidades relevantes e alergias
[ ] Isolamento/precauções em vigor
[ ] Barreiras de comunicação (idioma, cognição, familiar responsável)
A — AVALIAÇÃO (ASSESSMENT)
[ ] Sinais vitais e tendência (estável, piorando, melhorando)
[ ] Oxigenação/suporte ventilatório em uso
[ ] Nível de consciência e mobilidade
[ ] Drenos, cateteres, acessos e sondas em uso
[ ] Exames pendentes e resultados críticos ainda não vistos
[ ] Intercorrências durante o turno
R — RECOMENDAÇÃO
[ ] O que precisa de atenção nas próximas horas
[ ] Interconsultas ou reavaliações agendadas
[ ] Conduta combinada em caso de piora (gatilho de acionamento)
[ ] Pendências administrativas (autorização, transferência, alta)
Como aplicar sem perder tempo de plantão
- Preencha o SBAR por escrito antes da passagem verbal — a conversa vira confirmação, não reconstrução.
- Priorize os pacientes instáveis no início da lista; SBAR completo para todos, mas tempo maior para quem está em risco.
- Combine um gatilho objetivo de acionamento na Recomendação ("chamar se PA sistólica < 90" em vez de "observar o paciente").
- Se o setor usa prontuário eletrônico, deixe o SBAR como nota estruturada, não só verbal — assim ele fica auditável.
Perguntas frequentes
SBAR substitui a evolução médica no prontuário?
Não. O SBAR é uma ferramenta de comunicação para a transição entre equipes; a evolução — veja o modelo de evolução de enfermaria — continua sendo o registro oficial da condução do caso. Muitos serviços usam os dois: evolução no prontuário e SBAR como nota rápida de passagem.
O método serve só para enfermagem ou também para plantão médico?
Serve para qualquer transição de cuidado, incluindo passagem médica entre plantonistas. Em UTI, onde o volume de dados por paciente é maior, o SBAR ajuda a não deixar parâmetro crítico de fora — veja também o modelo de evolução em UTI para o registro completo do turno.
Se a passagem de plantão for gravada em áudio, a Solara (solara.doctor) pode transformar a fala em nota estruturada, o que ajuda a preencher o SBAR sem parar para digitar em pé no corredor.
Fonte: World Health Organization — Patient Safety Solutions.