Checklist de cirurgia segura da OMS: modelo pronto para usar

O checklist de cirurgia segura existe porque a maioria dos eventos adversos em centro cirúrgico não vem de falha técnica do cirurgião — vem de falha de comunicação entre equipe, paciente errado, sítio errado, material que falta na hora. A Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolveu uma lista de verificação em três fases para fechar exatamente essas brechas, e o Brasil aderiu ao protocolo pelo Ministério da Saúde e pela ANVISA, dentro do Programa Nacional de Segurança do Paciente.

As três fases do checklist

O protocolo divide a verificação em três momentos, cada um conduzido em voz alta por um membro da equipe designado, com confirmação verbal dos demais:

  • Sign In — antes da indução anestésica. Confirma identidade do paciente, sítio cirúrgico marcado, consentimento assinado, checagem do equipamento de anestesia e alergias conhecidas.
  • Time Out — antes da incisão, com toda a equipe presente na sala. Cada membro se apresenta e confirma nome do paciente, procedimento e sítio; revisa riscos previstos (perda de sangue, dificuldade de via aérea); confirma profilaxia antibiótica e disponibilidade de imagens/exames necessários.
  • Sign Out — antes de o paciente sair da sala. Confirma contagem de compressas e instrumentais, identificação de amostras coletadas, problemas de equipamento a relatar e o plano de recuperação e cuidados pós-operatórios.

Por que a fase Time Out costuma ser a mais pulada — e a mais crítica

Na correria da rotina, é comum começar a incisão sem a pausa formal do Time Out, principalmente quando a equipe já trabalhou junto muitas vezes e considera a checagem redundante. É justamente aí que passa o erro de sítio ou de lado — o tipo de evento adverso que o checklist foi desenhado para eliminar, e que um estudo publicado no New England Journal of Medicine associou a uma queda de mais de 30% em complicações e mortes cirúrgicas nos hospitais piloto da OMS.

Artefato: checklist de cirurgia segura

CHECKLIST DE CIRURGIA SEGURA

=== SIGN IN (antes da indução anestésica) ===
[ ] Paciente confirmou identidade, procedimento e sítio cirúrgico
[ ] Sítio cirúrgico está marcado (ou não se aplica)
[ ] Termo de consentimento assinado e conferido
[ ] Verificação de segurança da anestesia completa
[ ] Oximetro de pulso no paciente e funcionando
[ ] Alergias conhecidas: [ ] Não  [ ] Sim — [QUAL]
[ ] Risco de via aérea difícil ou aspiração: [ ] Não  [ ] Sim — equipamento disponível
[ ] Risco de perda sanguínea > 500 mL: [ ] Não  [ ] Sim — acesso venoso/reserva adequados

=== TIME OUT (antes da incisão, equipe completa) ===
[ ] Todos os membros da equipe se apresentaram por nome e função
[ ] Confirmação verbal: paciente, sítio e procedimento corretos
[ ] Eventos críticos previstos revisados (cirurgião, anestesista, enfermagem)
[ ] Profilaxia antibiótica administrada nos últimos 60 minutos (ou não se aplica)
[ ] Exames de imagem essenciais disponíveis e exibidos

=== SIGN OUT (antes do paciente sair da sala) ===
[ ] Nome do procedimento registrado, conforme realizado
[ ] Contagem de instrumentais, compressas e agulhas conferida e correta
[ ] Amostras/peças cirúrgicas identificadas e rotuladas corretamente
[ ] Problemas de equipamento a serem resolvidos, registrados
[ ] Plano de recuperação e cuidados pós-operatórios comunicado à equipe

Perguntas frequentes

O checklist é obrigatório em hospitais brasileiros?

A adesão ao protocolo de cirurgia segura faz parte das ações do Programa Nacional de Segurança do Paciente coordenado pelo Ministério da Saúde e pela ANVISA. Verifique a norma vigente no site da ANVISA e o protocolo institucional do seu hospital, já que a exigência formal pode variar conforme o tipo de estabelecimento.

Quem deve conduzir a leitura do checklist em voz alta?

O protocolo original da OMS recomenda um coordenador designado — pode ser o circulante de sala ou outro membro da equipe — responsável por conduzir cada fase e confirmar verbalmente cada item com o restante da equipe antes de prosseguir.

O checklist substitui o registro no prontuário cirúrgico?

Não. O checklist é uma verificação de processo e segurança; a descrição cirúrgica detalhada, com achados e conduta, continua sendo obrigatória no prontuário, inclusive como suporte para faturamento e eventual auditoria.

Documentar a cirurgia com a mesma disciplina que o checklist exige da equipe é o que sustenta o prontuário depois — a Solara ajuda a estruturar essa documentação a partir da gravação do atendimento, sem tirar tempo da rotina do centro cirúrgico.