Prontuário gratuito vs. pago: o que você abre mão
Prontuário gratuito existe, funciona para abrir uma ficha e não é golpe — mas "grátis" quase sempre significa que o custo apareceu em outro lugar: menos certificação, menos suporte ou seus dados presos num formato que não sai dali. Antes de migrar por causa do preço, vale entender exatamente o que cada modelo entrega.
Por que existe versão gratuita
Planos gratuitos normalmente são a porta de entrada de um produto pago: atraem o consultório pequeno, cobrem o básico (cadastro de paciente, agenda simples, registro de consulta) e monetizam depois, seja por upgrade de plano, por limite de uso ou, em alguns casos, por publicidade dentro do próprio sistema. Entender esse modelo de negócio ajuda a prever onde o gratuito vai apertar.
Onde o gratuito costuma apertar primeiro
- Certificação. Certificação SBIS-CFM tem custo de manutenção para o fornecedor; planos gratuitos raramente a mantêm, o que significa não dispensar o papel.
- Limite de volume. Número de pacientes, de registros ou de armazenamento costuma ser baixo, com cobrança assim que o consultório cresce.
- Suporte. Sem SLA, sem telefone, às vezes só uma central de ajuda genérica — problema quando o sistema cai numa sexta-feira lotada.
- Integração. Exportação para TISS, emissão de receita com validade ou integração com agenda e faturamento tendem a ficar no plano pago.
- Exportação dos próprios dados. Alguns planos gratuitos dificultam ou cobram para exportar o histórico se você decidir trocar de sistema depois.
- Backup e continuidade. Backup automático e redundância custam infraestrutura; planos gratuitos podem não garantir o mesmo nível.
Tabela comparativa
| Critério | Prontuário gratuito | Prontuário pago |
|---|---|---|
| Certificação SBIS-CFM | Raramente incluída | Geralmente incluída (confirme o nível) |
| Assinatura digital ICP-Brasil | Raro | Comum em planos voltados a clínica |
| Limite de pacientes/armazenamento | Frequente | Raro ou generoso |
| Suporte com SLA | Raro | Comum |
| Integração TISS/agenda/receita | Limitada ou ausente | Geralmente disponível |
| Exportação de dados | Pode ser restrita | Geralmente livre |
| Backup e continuidade | Variável | Contratual |
| Custo direto | Zero | Mensalidade |
As perguntas que valem mais que o preço
Antes de decidir só pelo valor da mensalidade, confirme três coisas com qualquer fornecedor, gratuito ou pago:
- Tem certificação SBIS-CFM válida, e em qual nível? Sem isso, você continua obrigado a manter registro em papel — o que anula parte da economia.
- Como fica meu dado se eu sair? Peça, por escrito, que a exportação completa do histórico é garantida e sem custo abusivo.
- Quem hospeda e sob qual contrato de dados? Dado de saúde é sensível pela LGPD; o fornecedor deve ter DPA (contrato de tratamento de dados) claro, mesmo no plano gratuito.
Quando o gratuito é suficiente e quando o pago se paga
Um plano gratuito pode bastar para quem está começando, tem baixíssimo volume e ainda mantém registro em papel como principal — usando o eletrônico como apoio. Ele deixa de bastar assim que há faturamento por convênio, volume que esbarra no limite do plano, ou a necessidade real de eliminar o papel — nesse ponto, a ausência de certificação no gratuito custa mais do que a mensalidade do pago.
Checklist antes de assinar um plano gratuito
PRONTUÁRIO GRATUITO — CONFERIR ANTES DE ADOTAR
[ ] Certificação SBIS-CFM: [ ] tem, nível ___ [ ] não tem
[ ] Assinatura digital ICP-Brasil disponível: [ ] sim [ ] não
[ ] Limite de pacientes/registros do plano: [ ]
[ ] Exportação completa dos dados garantida e sem custo: [ ] sim [ ] não
[ ] Contrato de tratamento de dados (LGPD) disponível: [ ] sim [ ] não
[ ] Backup automático: [ ] sim [ ] não, frequência: [ ]
[ ] Suporte: [ ] com SLA [ ] sem SLA — canal: [ ]
[ ] Preciso manter papel em paralelo? [ ] sim [ ] não
Decisão: [ ] adotar gratuito [ ] avaliar plano pago [ ] descartar
Se o que está pesando na escolha é o tempo perdido documentando a consulta, isso é um critério à parte de gratuito ou pago — vale rodar o checklist de 8 critérios para prontuário com IA e testar com casos reais. A Solara foca justamente nessa camada: gravar o atendimento e devolver a anamnese e a evolução estruturadas para você revisar.
Perguntas frequentes
Prontuário gratuito é sempre inseguro?
Não necessariamente, mas exige a mesma checagem de qualquer sistema: hospedagem, contrato de dados e backup. O risco maior costuma ser continuidade — planos gratuitos mudam de regra ou saem do ar com menos aviso do que um contrato pago.
Vale trocar de gratuito para pago só por causa de recurso de IA?
Só se o recurso resolver um problema real — tempo de documentação, padronização do registro. Avalie com um teste em consultas reais antes de assinar, como no comparativo de critérios.
Dá para usar o gratuito e ainda assim dispensar o papel?
Só se ele tiver certificação SBIS-CFM no nível adequado e assinatura ICP-Brasil. Sem isso, a exigência de guarda do papel continua valendo, gratuito ou não.