Modelo de anamnese em emergência: roteiro ABCDE e AMPLA
Na emergência a anamnese completa e estruturada em capítulos não cabe no tempo que o paciente instável tem. O roteiro precisa acompanhar a lógica da avaliação primária — estabilizar primeiro, documentar em paralelo — e ainda deixar rastro claro para quem assumir o caso depois de você. Este modelo combina o ABCDE da avaliação inicial com a história dirigida (AMPLA) para registrar o essencial sem atrasar a conduta.
Avaliação primária (ABCDE) e o que documentar em cada letra
A sequência ABCDE orienta a conduta, e cada etapa gera um dado que precisa ir para o prontuário:
- A — Vias aéreas: pérvias, comprometidas, necessidade de via aérea definitiva.
- B — Respiração: frequência respiratória, saturação, ausculta, uso de musculatura acessória.
- C — Circulação: frequência cardíaca, pressão arterial, perfusão periférica, sangramentos ativos.
- D — Disfunção neurológica: nível de consciência (escala de Glasgow ou AVDI), pupilas, glicemia capilar.
- E — Exposição: temperatura, lesões visíveis, sinais de trauma não referidos pelo paciente.
Registre hora da avaliação e reavaliações — na emergência, o prontuário sem horário não permite reconstruir a evolução do caso.
História AMPLA
Versão em português do mnemônico internacional SAMPLE, usada para colher o essencial sem depender de anamnese longa:
- A — Alergias: medicamentosas e outras.
- M — Medicamentos em uso: incluindo anticoagulantes e uso recente de substâncias.
- P — Passado médico e cirúrgico: comorbidades relevantes, cirurgias prévias.
- L — Líquidos e alimentos: hora da última refeição (relevante para sedação/procedimentos).
- A — Ambiente e eventos relacionados ao quadro atual: o que estava fazendo, como começou, testemunhas.
Queixa principal e HDA dirigida
Mesmo sob pressão de tempo, registre queixa principal com as palavras do paciente (ou de quem trouxe, se o paciente não conseguir informar), tempo de início, fator desencadeante e o que já foi feito antes da chegada (medicação tomada, atendimento prévio).
Classificação de risco
Se o serviço usa protocolo de classificação (Manchester ou equivalente), registre a cor/categoria atribuída e o horário — isso documenta a priorização e protege a decisão clínica caso o tempo de espera seja questionado depois.
Modelo para copiar
ANAMNESE DE EMERGÊNCIA
Identificação: [nome, idade, sexo]
Horário de admissão: [hh:mm]
Classificação de risco: [cor/categoria] às [hh:mm]
Queixa principal: [relato do paciente/acompanhante] há [tempo]
Avaliação primária (ABCDE):
A — Vias aéreas: [pérvias/comprometidas; conduta]
B — Respiração: FR ___ SatO2 ___% ausculta: [ ]
C — Circulação: FC ___ PA ___ perfusão: [ ] sangramento: [ ]
D — Neurológico: Glasgow ___ pupilas: [ ] glicemia: ___ mg/dL
E — Exposição: temp ___°C lesões: [ ]
História AMPLA:
A — Alergias: [ ]
M — Medicações em uso: [ ]
P — Passado médico/cirúrgico: [ ]
L — Última refeição: [hh:mm]
A — Ambiente/evento: [o que aconteceu, como começou]
HDA dirigida: [tempo de início, fator desencadeante, atendimento prévio]
Conduta inicial: [ ]
Reavaliação às [hh:mm]: [ ]
Perguntas frequentes
AMPLA substitui a anamnese completa quando o paciente estabiliza?
Não. AMPLA é para a história dirigida no momento agudo. Assim que o quadro estabiliza, complemente com antecedentes, história social e demais capítulos que o caso pedir — o registro inicial fica como marco do momento de admissão.
Preciso repetir o ABCDE a cada reavaliação?
Sim, sempre que houver mudança clínica relevante ou em intervalos definidos pelo protocolo do serviço. Documente cada reavaliação com horário — é isso que mostra a evolução do quadro no prontuário.
Preencher esse roteiro no meio do plantão, entre um atendimento e outro, é onde mais se perde tempo — a Solara grava o atendimento e organiza a anamnese nesses campos, deixando para você só a checagem antes de assinar. Para a passagem do caso ao próximo plantonista, veja o modelo de passagem de plantão em SBAR.