Modelo de evolução em nefrologia: SOAP de retorno para copiar
A evolução de retorno em nefrologia precisa mostrar a trajetória: função renal e proteinúria ao longo do tempo, controle pressórico, volemia e o que mudou desde a última consulta. O modelo abaixo organiza isso em SOAP, para você copiar e adaptar ao seu serviço.
O que a evolução nefrológica precisa registrar
Em doença renal crônica o dado isolado vale pouco. Um creatinina de hoje só faz sentido ao lado das anteriores. Por isso a evolução deve trazer a tendência, não apenas o valor do dia.
Os blocos que costumam sustentar a decisão (e a auditoria, quando há):
- Função renal em série: creatinina, taxa de filtração glomerular estimada (informe a equação usada) e data de cada medida.
- Proteinúria/albuminúria: método (relação albumina/creatinina em amostra isolada, urina de 24 horas) e valor anterior para comparação.
- Pressão arterial: valores de consultório e, se houver, MAPA ou medidas domiciliares.
- Volemia: peso, edema, ortostase, sinais de congestão ou depleção.
- Medicações com impacto renal: início, suspensão ou ajuste, e o motivo registrado.
- Eletrólitos e metabolismo mineral: potássio, bicarbonato, cálcio, fósforo, PTH, hemoglobina, conforme o estágio do paciente.
Modelo de evolução em nefrologia (SOAP)
EVOLUÇÃO NEFROLOGIA — RETORNO AMBULATORIAL
Data: [DATA] Paciente: [NOME] Prontuário: [Nº]
Doença de base / diagnóstico nefrológico: [DIAGNÓSTICO]
Estágio atual da DRC: [ESTÁGIO] Última consulta: [DATA]
S — SUBJETIVO
Queixas desde o último retorno: [RELATO]
Sintomas urêmicos / urinários: [DIURESE, NÚCTURIA, ESPUMA, PRURIDO, ANOREXIA, NÁUSEA]
Edema / dispneia / ganho de peso: [DESCREVER]
Adesão às medicações e à dieta orientada: [RELATO]
Intercorrências (internação, infecção, contraste, AINE, desidratação): [DESCREVER]
Uso de medicações (alterações desde o retorno): [LISTA]
O — OBJETIVO
PA: [PA] mmHg (sentado) PA ortostática: [SE AFERIDA]
FC: [FC] Peso: [KG] (anterior: [KG]) IMC: [IMC]
Exame físico: [VOLEMIA, EDEMA, AUSCULTA CARDÍACA E PULMONAR, ABDOME]
Exames recentes:
- Creatinina: [VALOR] em [DATA] (anteriores: [VALOR/DATA], [VALOR/DATA])
- TFGe: [VALOR] — equação: [EQUAÇÃO]
- Ureia: [VALOR] K: [VALOR] Na: [VALOR] Bicarbonato: [VALOR]
- Albuminúria / proteinúria: [VALOR E MÉTODO] (anterior: [VALOR])
- Hemoglobina: [VALOR] Ca: [VALOR] P: [VALOR] PTH: [VALOR]
- Urina tipo I / sedimento: [ACHADOS]
- Imagem renal (se houver): [RESUMO]
A — AVALIAÇÃO
1. [DIAGNÓSTICO NEFROLÓGICO] — evolução da função renal: [ESTÁVEL / EM PROGRESSÃO / MELHORA]
2. Controle pressórico: [NA META / FORA DA META] (meta definida: [META])
3. Distúrbios eletrolíticos / metabólicos: [LISTAR]
4. Anemia / metabolismo mineral: [LISTAR]
5. Comorbidades relevantes (DM, HAS, cardiopatia): [LISTAR]
Fatores de risco para progressão identificados: [LISTAR]
P — PLANO
Medicações: [MANTIDAS / AJUSTADAS / SUSPENSAS — com motivo]
Exames solicitados: [LISTA]
Orientações registradas: [HIDRATAÇÃO, EVITAR NEFROTÓXICOS, DIETA ORIENTADA PELO NUTRICIONISTA]
Encaminhamentos / discussão multiprofissional: [NUTRIÇÃO, CARDIOLOGIA, ACESSO VASCULAR, OUTROS]
Discussão sobre terapia renal substitutiva (quando aplicável): [REGISTRO DA CONVERSA]
Retorno em: [PRAZO]
Assinatura / CRM: [MÉDICO] — CRM-[UF] [Nº]
Como preencher sem perder tempo
Traga a série pronta. Escreva as duas ou três últimas creatininas na própria linha do exame. Quem lê o prontuário depois (você, um colega, um perito) enxerga a curva sem abrir resultados antigos.
Registre a razão de cada ajuste. "Suspensa a medicação X por piora da função renal e hipercalemia" protege mais do que "suspensa".
Documente a conversa sobre terapia renal substitutiva. Quando o tema entra na consulta, anote o que foi explicado e as preferências do paciente. É um registro que costuma ser exigido depois, em encaminhamentos e na regulação.
Separe o que é medida do que é impressão. Medida vai em O, interpretação vai em A.
Perguntas frequentes
Preciso repetir toda a anamnese a cada retorno?
Não. A evolução registra o intervalo desde a última consulta. Mantenha o diagnóstico de base e as comorbidades no cabeçalho e atualize apenas o que mudou.
Qual equação de TFGe devo citar?
A que o seu laboratório ou serviço adota, de forma consistente. O importante é escrever qual foi usada, porque equações diferentes dão valores diferentes e atrapalham a comparação entre consultas.
Posso usar este modelo para paciente em diálise?
Para a consulta ambulatorial de pré-diálise, sim. Para a evolução por sessão, use o modelo de evolução em hemodiálise.
Como a Solara entra nisso
Se você prefere não digitar o SOAP depois da consulta, a Solara grava o atendimento e gera a evolução já organizada nos blocos acima, para você revisar e assinar.