Modelo de laudo de mamografia: estrutura com BI-RADS

Laudo de mamografia sem estrutura clara vira fonte de retrabalho: o clínico liga perguntando o que aquele número significa, a paciente se assusta sem necessidade. O sistema BI-RADS existe para resolver exatamente isso — uma linguagem única entre quem laudou e quem vai conduzir o caso. Abaixo está a estrutura completa, pronta para copiar e adaptar ao seu serviço.

Estrutura do laudo

Um laudo de mamografia completo traz, nesta ordem:

  • Identificação: nome, idade, data do exame, indicação clínica (rastreamento, controle, queixa localizada).
  • Técnica: incidências realizadas (craniocaudal, oblíqua-médio-lateral), equipamento (mamógrafo digital, uso de tomossíntese), incidências complementares se houver.
  • Comparação: menção explícita a exames anteriores disponíveis e o intervalo entre eles.
  • Composição do parênquima mamário: categoria de densidade (A a D — ver abaixo).
  • Achados: descritos por mama, localizados por quadrante e distância do mamilo — massas, calcificações, assimetrias, distorções arquiteturais.
  • Categoria BI-RADS final: uma por mama, quando os achados diferem entre os lados.
  • Recomendação de conduta: complementação propedêutica, controle ou biópsia.

As categorias do BI-RADS

O BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) foi criado pelo American College of Radiology e adotado no Brasil desde 1998 pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. Vai de 0 a 6:

Categoria Significado Conduta usual
0 Avaliação incompleta Complementar com incidências adicionais, USG ou RM
1 Mamografia negativa Rastreamento de rotina
2 Achado(s) benigno(s) Rastreamento de rotina
3 Provavelmente benigno Controle em intervalo curto (habitualmente 6 meses)
4 (A/B/C) Suspeito — 2% a 95% de chance de malignidade Biópsia
5 Altamente suspeito de malignidade Biópsia
6 Malignidade já confirmada por biópsia prévia Conduta oncológica definida

A subdivisão da categoria 4 (4A baixa suspeita, 4B suspeita intermediária, 4C suspeita moderada) existe para calibrar a urgência da biópsia dentro de uma faixa tão ampla de probabilidade.

Densidade mamária (classificação ACR)

A densidade influencia a sensibilidade da mamografia e deve constar em todo laudo:

Categoria Descrição
A Mamas quase totalmente adiposas
B Densidade fibroglandular esparsa
C Mamas heterogeneamente densas (pode ocultar pequenas massas)
D Mamas extremamente densas (reduz a sensibilidade do método)

Modelo pronto para copiar

LAUDO DE MAMOGRAFIA

Paciente: [NOME]
Data de nascimento: [DATA]
Data do exame: [DATA]
Indicação clínica: [RASTREAMENTO / CONTROLE / QUEIXA LOCALIZADA]

TÉCNICA
Incidências: craniocaudal e oblíqua-médio-lateral bilaterais [+ complementares, se houver]
Equipamento: [DIGITAL / TOMOSSÍNTESE]
Comparação com exame de [DATA DO EXAME ANTERIOR OU "sem exame anterior disponível"]

COMPOSIÇÃO DO PARÊNQUIMA MAMÁRIO
Categoria de densidade: [A/B/C/D]

ACHADOS
Mama direita: [DESCRIÇÃO POR QUADRANTE, OU "sem achados"]
Mama esquerda: [DESCRIÇÃO POR QUADRANTE, OU "sem achados"]

IMPRESSÃO / CATEGORIA BI-RADS
Mama direita: BI-RADS [0-6]
Mama esquerda: BI-RADS [0-6]

RECOMENDAÇÃO
[ROTINA DE RASTREAMENTO / CONTROLE EM 6 MESES / COMPLEMENTAÇÃO PROPEDÊUTICA / BIÓPSIA]

Responsável técnico: [NOME, CRM, RQE]

Perguntas frequentes

BI-RADS 3 significa que precisa de biópsia?

Não. A categoria 3 indica achado com alta probabilidade de ser benigno (a literatura fala em menos de 2% de chance de malignidade), e a conduta padrão é controle em intervalo curto, não biópsia imediata. Biópsia entra a partir da categoria 4.

A densidade mamária alta muda a conduta do exame?

Sim, é um fator técnico relevante: mamas densas (categorias C e D) reduzem a sensibilidade da mamografia e costumam levar à indicação de método complementar (ultrassonografia ou ressonância), a critério do radiologista e do médico assistente.

O laudo precisa citar o BI-RADS por extenso ou só o número basta?

As duas formas circulam, mas o mais claro para quem lê é registrar a categoria numérica junto com a recomendação de conduta por extenso — isso evita reinterpretação por quem recebe o laudo.

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Fonte: SciELO — Radiologia Brasileira: categorização de mamografias pela classificação BI-RADS.