Modelo de laudo de PET-CT: estrutura completa

O laudo de PET-CT tem uma exigência que a maioria dos exames de imagem não tem: precisa registrar dados metabólicos (glicemia, dose de radiofármaco, tempo de captação) além dos achados anatômicos, porque esses números interferem diretamente na confiabilidade do SUV. Um laudo que omite isso obriga o médico assistente a pedir esclarecimento — ou pior, leva a uma leitura errada da resposta terapêutica.

Quando o exame é pedido

PET-CT com 18F-FDG é solicitado principalmente para estadiamento oncológico inicial, avaliação de resposta a tratamento (quimioterapia, radioterapia) e investigação de recidiva quando a imagem anatômica isolada (TC ou RM) deixa dúvida. O racional é que células neoplásicas geralmente têm metabolismo de glicose aumentado, e o FDG (análogo da glicose marcado com flúor-18) se acumula nessas regiões de forma proporcional a esse metabolismo.

Dados que precisam entrar no laudo antes da interpretação

Sem esses três itens, o laudo fica incompleto:

  • Glicemia pré-exame — glicemias elevadas (geralmente acima de 150–200 mg/dL) reduzem a captação de FDG pelo tecido-alvo e comprometem a comparação de SUV entre exames. Se o paciente estava hiperglicêmico, isso precisa constar explicitamente, porque explica um SUV artificialmente baixo.
  • Dose administrada e horário da injeção — em MBq ou mCi, com o horário exato, porque o tempo de captação (geralmente próximo de 60 minutos) afeta a intensidade da imagem.
  • Radiofármaco utilizado — na prática quase sempre FDG, mas outros traçadores (PSMA, somatostatina) têm indicações e cinéticas diferentes e mudam o que se espera ver como captação fisiológica normal.

Estrutura do laudo (modelo)

LAUDO DE PET-CT

Paciente: [NOME]
Data de nascimento: [DATA]
Data do exame: [DATA]
Médico solicitante: [NOME]

INDICAÇÃO CLÍNICA
[Estadiamento inicial / avaliação de resposta terapêutica / investigação de recidiva /
outro, com diagnóstico ou hipótese de base]

TÉCNICA
Radiofármaco: [18F-FDG / outro] — Dose administrada: [X mCi ou MBq]
Horário da injeção: [HH:MM] — Tempo de captação: [X min]
Glicemia pré-exame: [X mg/dL] (jejum de [X] horas)
Aquisição de corpo inteiro em PET associada a TC de [baixa dose / com contraste],
da base do crânio às raízes das coxas [ou outra extensão].

COMPARAÇÃO
[Exame anterior de mesma data/modalidade, se houver, ou "sem exame anterior para
comparação"]

ACHADOS
Cabeça e pescoço: [descrição]
Tórax: [descrição]
Abdome e pelve: [descrição]
Esqueleto e partes moles: [descrição]
Lesões hipermetabólicas: [localização, SUV máximo de cada lesão relevante]

IMPRESSÃO DIAGNÓSTICA
[Síntese objetiva — presença ou ausência de atividade hipermetabólica suspeita,
estágio sugerido quando aplicável, recomendação de correlação clínica/histológica
quando a captação for indeterminada]

Responsável técnico: [NOME] — CRM [UF] [NÚMERO] — RQE em Medicina Nuclear [NÚMERO]

Erros que mais geram pedido de esclarecimento

  • Não registrar a glicemia pré-exame — sem ela, ninguém consegue avaliar se um SUV baixo é real ou artefato.
  • Reportar SUV sem localizar a lesão de forma que bata com a TC de correlação.
  • Omitir se há ou não exame anterior para comparação (isso muda a interpretação clínica do achado).
  • Descrever captação fisiológica normal (miocárdio, trato urinário, cérebro) como se fosse achado patológico.

Perguntas frequentes

O que é o SUV e por que ele precisa constar no laudo?

SUV (Standardized Uptake Value) é a métrica que estima o metabolismo de glicose de uma lesão em relação à dose injetada e ao peso do paciente. Ele entra no laudo porque permite comparar objetivamente a mesma lesão entre exames sucessivos — sem ele, a avaliação de resposta terapêutica fica subjetiva.

O laudo precisa citar a dose de radiação recebida pelo paciente?

Não é uma exigência de conteúdo clínico do laudo — a dose de radiofármaco administrada (em atividade, não em dose efetiva de radiação) é o dado relevante para a interpretação metabólica e deve constar. Informações de dosimetria e proteção radiológica ficam a cargo do serviço de medicina nuclear e da física médica responsável.

PET-CT substitui biópsia?

Não. PET-CT indica atividade metabólica compatível com malignidade, mas a confirmação histológica continua sendo o padrão para diagnóstico definitivo na maioria dos cenários oncológicos.

Laudos como este costumam ser ditados no próprio console e depois digitados — um processo repetitivo que a Solara foi feita para encurtar, transcrevendo a fala do médico direto para a estrutura do documento, sem entrar em conduta clínica.