Modelo de anamnese em oncologia: roteiro para copiar
A anamnese oncológica tem uma exigência que as outras não têm: precisa registrar, numa linha do tempo clara, o que já foi feito (cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia — com datas e linhas de tratamento) antes de qualquer conduta nova ser decidida. Sem isso, o próximo médico que ler o prontuário perde tempo reconstruindo a história em vez de decidir. Abaixo vai um roteiro estruturado para copiar e adaptar à sua rotina.
Por que a anamnese oncológica precisa de um roteiro próprio
Uma anamnese clínica geral não captura o que decide conduta em oncologia: sítio primário, estadiamento no diagnóstico, histologia, biomarcadores, linhas de tratamento já usadas e o performance status atual do paciente. Esses dados são o que qualquer oncologista, cirurgião ou radioterapeuta vai procurar primeiro ao assumir o caso — e são também o que mais falta em prontuários incompletos.
Roteiro estruturado (artefato copiável)
ANAMNESE ONCOLÓGICA
1. IDENTIFICAÇÃO
Nome: [NOME] | Idade: [IDADE] | Sexo: [SEXO]
Data da consulta: [DATA]
2. QUEIXA PRINCIPAL
[Motivo da consulta em uma frase, nas palavras do paciente]
3. HISTÓRIA DA DOENÇA ONCOLÓGICA
Data do diagnóstico: [DATA]
Sítio primário: [SÍTIO]
Histologia / subtipo: [HISTOLOGIA]
Biomarcadores relevantes: [EX.: RECEPTORES, MUTAÇÕES]
Estadiamento ao diagnóstico: [TNM OU EQUIVALENTE]
Estadiamento atual (se reavaliado): [TNM ATUALIZADO]
4. LINHA DO TEMPO DE TRATAMENTOS
[ ] Cirurgia — [PROCEDIMENTO / DATA]
[ ] Quimioterapia — [ESQUEMA / Nº DE CICLOS / DATAS / LINHA]
[ ] Radioterapia — [CAMPO / DOSE TOTAL / DATAS]
[ ] Imunoterapia / terapia-alvo — [AGENTE / DATAS]
[ ] Outras intervenções: [DESCREVER]
5. RESPOSTA E INTERCORRÊNCIAS
Resposta ao último tratamento: [RESPOSTA COMPLETA/PARCIAL/PROGRESSÃO]
Toxicidades relevantes: [DESCREVER]
Internações relacionadas: [DATAS / MOTIVOS]
6. SINTOMAS ATUAIS (incluir sintomas B se aplicável)
Dor: [LOCALIZAÇÃO / INTENSIDADE]
Febre / sudorese noturna / emagrecimento: [SIM/NÃO — QUANTIFICAR]
Outros sintomas: [DESCREVER]
7. ANTECEDENTES PESSOAIS E FAMILIARES
Comorbidades: [LISTAR]
Medicações em uso: [LISTAR]
História familiar de câncer: [PARENTESCO / TIPO / IDADE AO DIAGNÓSTICO]
8. HÁBITOS E FATORES DE RISCO
Tabagismo: [CARGA TABÁGICA] | Etilismo: [PADRÃO]
Exposições ocupacionais: [DESCREVER]
9. PERFORMANCE STATUS (ECOG)
ECOG atual: [0-5] (ver escala abaixo)
10. EXAME FÍSICO DIRECIONADO
Estado geral: [DESCREVER]
Linfonodos (cadeias): [PALPÁVEIS? LOCALIZAÇÃO / TAMANHO]
Sítio primário / cicatrizes cirúrgicas: [DESCREVER]
Hepatoesplenomegalia: [SIM/NÃO]
Sinais de metástase à distância: [DESCREVER]
11. IMPRESSÃO E PLANO
[Hipótese, exames pendentes, encaminhamentos, próxima reavaliação]
Escala de performance status (ECOG)
O ECOG mede a capacidade funcional do paciente e entra na decisão sobre elegibilidade para tratamento — registrar o grau evita ambiguidade entre profissionais.
| Grau | Descrição |
|---|---|
| 0 | Totalmente ativo, sem restrição em relação ao período pré-doença |
| 1 | Restrito a atividades físicas intensas, mas capaz de trabalho leve |
| 2 | Deambula e cuida de si, mas incapaz de trabalhar; fora do leito > 50% do dia |
| 3 | Capacidade limitada de autocuidado; confinado a cama/cadeira > 50% do dia |
| 4 | Totalmente incapacitado; confinado a cama/cadeira |
| 5 | Óbito |
Erros comuns que atrasam decisão de conduta
- Registrar "quimioterapia prévia" sem esquema, número de ciclos ou datas — quem lê depois não sabe se o paciente ainda tem opções daquela classe de droga.
- Omitir o estadiamento ao diagnóstico quando já houve progressão — perde-se a referência para medir a evolução.
- Não quantificar sintomas B (febre, sudorese noturna, emagrecimento) em número e período, deixando "emagrecimento" sem o quanto e em quanto tempo.
- Esquecer de atualizar o ECOG a cada retorno — é um dos dados mais dinâmicos do caso.
Perguntas frequentes
ECOG e Karnofsky são a mesma coisa?
Não, mas medem o mesmo conceito. O ECOG vai de 0 a 5 (WHO/ECOG), enquanto o Karnofsky vai de 0 a 100 em incrementos de 10. Muitos serviços aceitam qualquer um dos dois, mas use o que seu serviço ou protocolo de pesquisa exige — e não misture os dois na mesma anamnese.
Preciso refazer a anamnese completa em toda consulta de retorno?
Não. A anamnese completa entra na primeira consulta e nas reavaliações maiores (mudança de linha de tratamento, progressão). Nos retornos, uma evolução SOAP focada — veja o modelo de evolução SOAP — costuma bastar, atualizando ECOG, sintomas e resposta ao tratamento em curso.
Se a consulta for gravada, a Solara (solara.doctor) já estrutura esses campos automaticamente a partir do áudio, o que ajuda a manter a linha do tempo de tratamentos completa sem retrabalho manual.