Modelo de anamnese em cirurgia oncológica: roteiro pronto

A anamnese pré-operatória em cirurgia oncológica precisa cobrir dois eixos ao mesmo tempo: a história oncológica (diagnóstico, estadiamento, tratamentos já feitos) e a avaliação cirúrgica geral (comorbidades, risco anestésico, capacidade funcional). Errar a ênfase em qualquer um dos dois deixa lacuna que aparece só na sala de cirurgia. Abaixo, um roteiro estruturado para copiar e adaptar ao seu serviço.

Identificação e queixa principal

Nome, idade, procedência, encaminhamento (quem indicou a cirurgia — oncologista clínico, mastologista, outro cirurgião). Registre a queixa que trouxe o paciente e há quanto tempo.

História da doença atual (oncológica)

  • Data e método do diagnóstico (biópsia, imagem, marcador tumoral)
  • Sítio primário e, se já investigado, estadiamento TNM conhecido
  • Tratamentos prévios: quimioterapia (protocolo, datas, última dose), radioterapia (campo e dose, se souber), cirurgia oncológica prévia
  • Resposta ao tratamento neoadjuvante, se houve
  • Sintomas atuais relacionados ao tumor (dor, sangramento, perda de peso, obstrução)

Antecedentes pessoais

  • Comorbidades: cardiopatia, DPOC, diabetes, doença renal, hepatopatia
  • Cirurgias prévias e intercorrências anestésicas
  • Uso de anticoagulante ou antiagregante (e se foi suspenso, quando)
  • Transfusões prévias e reações
  • Alergias medicamentosas

Hábitos e estado nutricional

  • Tabagismo (carga tabágica) e etilismo
  • Perda de peso não intencional nos últimos 6 meses (% do peso corporal)
  • Apetite e ingesta oral atual
  • Performance status (ECOG ou Karnofsky) — determinante para tolerância cirúrgica

Antecedentes familiares

Histórico de câncer na família, grau de parentesco e idade ao diagnóstico — relevante para síndromes hereditárias e para orientar a equipe sobre necessidade de aconselhamento genético.

Exame físico direcionado

Estado geral, linfonodos (cadeias regionais ao sítio tumoral), exame do sítio primário, sinais de doença sistêmica (icterícia, ascite, edema), ausculta cardiopulmonar para risco anestésico.

Modelo para copiar

ANAMNESE PRÉ-OPERATÓRIA — CIRURGIA ONCOLÓGICA

Identificação: [nome, idade, procedência]
Encaminhado por: [profissional/serviço]

HISTÓRIA ONCOLÓGICA
Diagnóstico: [data, método]
Sítio primário: [órgão/tecido]
Estadiamento (se conhecido): [TNM]
Tratamento prévio:
  Quimioterapia: [protocolo / última dose]
  Radioterapia: [campo / dose / data]
  Cirurgia prévia: [procedimento / data]
Sintomas atuais: [dor, sangramento, perda de peso, obstrução — descrever]

ANTECEDENTES PESSOAIS
Comorbidades: [listar]
Cirurgias prévias: [listar, intercorrências anestésicas]
Anticoagulante/antiagregante em uso: [droga / suspenso em]
Alergias: [listar ou "nega"]
Transfusões prévias: [sim/não, reações]

HÁBITOS E ESTADO NUTRICIONAL
Tabagismo: [carga tabágica ou "nega"]
Etilismo: [padrão ou "nega"]
Perda de peso (6 meses): [kg / % do peso corporal]
Performance status: [ECOG 0-4 ou Karnofsky %]

ANTECEDENTES FAMILIARES
Câncer na família: [parentesco, tipo, idade ao diagnóstico, ou "nega"]

EXAME FÍSICO
Estado geral: [ ]
Linfonodos: [cadeias examinadas]
Sítio primário: [achados]
Cardiopulmonar: [achados]

Hipótese/plano cirúrgico: [ ]

Perguntas frequentes

Essa anamnese substitui a avaliação pré-anestésica?

Não. Ela organiza a história oncológica e cirúrgica; a avaliação de risco anestésico (classificação ASA, exames complementares) é complementar — veja o modelo de anamnese pré-anestésica.

Preciso repetir a história oncológica se o oncologista clínico já documentou tudo?

Vale conferir e resumir, mas a anamnese cirúrgica deve registrar sua própria avaliação — o prontuário do cirurgião responde por si em caso de auditoria ou disputa.

ECOG ou Karnofsky: qual usar?

Os dois são aceitos; o ECOG (escala de 0 a 4) é mais rápido de registrar, o Karnofsky (percentual) é mais granular. Use o que for padrão no seu serviço e mantenha consistência entre as reavaliações.

Ter esse roteiro pronto para cada consulta pré-operatória economiza tempo sem perder detalhe clínico — e é esse tipo de rotina que a Solara automatiza, gerando a anamnese estruturada a partir da consulta gravada.