Modelo de partograma: como preencher passo a passo
O partograma é o registro gráfico da evolução do trabalho de parto — dilatação cervical, descida da apresentação, contrações e vitalidade fetal ao longo do tempo, lançados no mesmo gráfico para revelar em segundos se o parto progride dentro do esperado. Preenchido de forma incompleta ou tardia, ele perde a função: virou papel, não ferramenta de decisão. Abaixo, quando abrir, o que registrar em cada linha e um modelo pronto para copiar.
Quando abrir o partograma
As Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal do Ministério da Saúde recomendam iniciar o preenchimento próximo ao começo da fase ativa do trabalho de parto, não na fase latente. Abrir o partograma cedo demais, ainda na fase latente, tende a registrar uma curva de dilatação mais lenta que o esperado e pode levar a intervenções desnecessárias.
Os critérios exatos que separam fase latente de fase ativa (dilatação cervical, regularidade das contrações) foram revisados pela OMS nos últimos anos — confirme o corte adotado no protocolo do seu serviço antes de padronizar a conduta, em vez de assumir um número fixo.
O que cada linha do partograma precisa registrar
Um partograma completo acompanha, a cada avaliação (em geral a cada 30 a 60 minutos, conforme a fase e o protocolo local):
- Dilatação cervical (cm) e apagamento do colo.
- Descida da apresentação, pelo plano de De Lee ou equivalente.
- Contrações uterinas: frequência em 10 minutos, duração e intensidade.
- Batimentos cardíacos fetais (BCF).
- Bolsa das águas: íntegra ou rota, e características do líquido amniótico quando rota.
- Variedade de posição fetal.
- Sinais vitais maternos: pressão arterial, pulso e temperatura.
- Medicações e intervenções: ocitocina, analgesia, amniotomia.
Modelo de partograma para copiar
PARTOGRAMA — REGISTRO POR AVALIAÇÃO
Paciente: [NOME] Data de admissão: [DATA] Hora: [HORA]
Gestação: G[ ] P[ ] A[ ] IG: [SEMANAS]
Início da fase ativa (registrado): [HORA]
Para cada avaliação, preencher uma linha:
Hora | Dilatação | Descida | Contrações | BCF | Bolsa/líquido | Variedade | PA materna | Pulso | Obs.
------|-----------|-----------|-----------------|-------|----------------------|-----------|------------|-------|------
[H] | [CM] | [PLANO] | [N]/10min [SEG] | [BPM] | [íntegra/rota-cor] | [OP/OEA…] | [mmHg] | [bpm] | [medicação, intervenção]
LINHA DE ALERTA: traçada a partir do início da fase ativa
LINHA DE AÇÃO: paralela, deslocada conforme o protocolo do serviço
INTERCORRÊNCIAS: [DESCREVER]
DESFECHO DO PARTO: [hora, via, condições do RN]
Use uma linha por avaliação e mantenha os horários reais — partograma preenchido retroativamente, "arredondando" horários, é a principal causa de curva de dilatação que não bate com o que realmente aconteceu.
Linha de alerta e linha de ação: como usar
O modelo clássico de partograma traça duas linhas de referência a partir do momento em que a fase ativa é identificada: a linha de alerta, que marca o ritmo de dilatação esperado, e a linha de ação, deslocada à direita da anterior. Quando a curva real de dilatação cruza a linha de alerta, é sinal para intensificar a vigilância; ao cruzar a linha de ação, o protocolo do serviço normalmente define uma reavaliação obstétrica formal. O posicionamento exato dessas linhas varia entre modelos e protocolos institucionais — siga o padrão adotado no seu serviço em vez de aplicar um parâmetro genérico.
Erros comuns que atrapalham a leitura depois
- Abrir o partograma na fase latente, distorcendo a curva de dilatação.
- Pular avaliações quando o plantão fica cheio, deixando buracos no gráfico.
- Não registrar o horário real da ruptura da bolsa e das características do líquido.
- Anotar apenas "BCF normal" em vez do valor numérico e do padrão observado.
- Deixar o desfecho do parto (via, hora, condições do recém-nascido) para preencher depois, de memória.
Depois do parto, a papelada não termina no partograma — evolução da puérpera, sumário de alta e declaração de nascido vivo ainda precisam ser escritos. A Solara transforma o relato falado da equipe em evolução já estruturada, poupando a redigitação do que já foi decidido à beira do leito.
Perguntas frequentes
O partograma é obrigatório em todo parto?
O Ministério da Saúde trata o partograma como boa prática recomendada para o acompanhamento do trabalho de parto, e muitos serviços e programas de acreditação (como a Rede Cegonha) o exigem como parte do protocolo assistencial. Confirme a exigência formal no regimento do seu serviço.
Partograma manual em papel ou sistema eletrônico — tanto faz?
Tanto faz para a função clínica, desde que o preenchimento seja feito em tempo real. Se o registro for eletrônico, ele precisa seguir as mesmas exigências de qualquer prontuário eletrônico — veja o guia de exigências do CFM para prontuário eletrônico.
Qual a diferença entre o partograma e a ficha de admissão obstétrica?
São documentos complementares. A ficha de admissão registra a história e o exame no momento da entrada; o partograma acompanha a evolução do parto a partir daquele ponto, avaliação por avaliação.