Receita A x B x C: diferença entre as cores do receituário
A cor do receituário não é estética — ela indica a lista de controle da substância na Portaria da Anvisa que regula medicamentos sujeitos a controle especial, e muda o número de vias, quem retém a via e como a farmácia presta contas dela. Errar a cor é motivo comum de recusa na dispensação e de retrabalho para o paciente. Veja o que muda entre a receita A (amarela), B (azul) e C (branca).
Tabela comparativa
| Aspecto | Receita A (amarela) | Receita B (azul) | Receita C (branca) |
|---|---|---|---|
| Nome oficial | Notificação de Receita A | Notificação de Receita B | Receita de Controle Especial |
| Listas cobertas | A1, A2 (entorpecentes) e A3 (psicotrópicos) | B1 (psicotrópicos) e B2 (psicotrópicos anorexígenos) | C1 e listas correlatas (demais substâncias de controle especial) |
| Exemplos de classe terapêutica | opioides, morfina | benzodiazepínicos | antidepressivos, anticonvulsivantes, antipsicóticos |
| Quem emite o talão | Vigilância Sanitária, numerado e vinculado ao médico | Vigilância Sanitária, numerado e vinculado ao médico | O próprio médico ou estabelecimento, sem numeração pela Vigilância |
| Número de vias | Única (retida na farmácia) | Única (retida na farmácia) | Duas (1ª retida na farmácia, 2ª devolvida ao paciente) |
| Prestação de contas da farmácia | Comunicada ao órgão sanitário (SNGPC) | Comunicada ao órgão sanitário (SNGPC) | Farmácia retém e arquiva a 1ª via |
Para prazos de validade específicos, veja Validade da receita médica: prazo por tipo.
Como decidir qual cor usar antes de prescrever
- Confira a substância na lista da Anvisa antes de escolher o talão — a classe terapêutica sozinha não garante a lista certa.
- Entorpecente = receita A. Psicotrópico "comum" (benzodiazepínico, por exemplo) = receita B.
- Antidepressivo, anticonvulsivante ou antipsicótico isolado = receita C, em duas vias.
- Nunca misture medicamentos de listas diferentes na mesma folha — cada notificação ou receita é exclusiva para uma lista.
Modelo copiável: cabeçalho mínimo que toda receita de controle especial precisa ter
[NOME DO MÉDICO / CLÍNICA]
CRM [UF] [NÚMERO] [Endereço completo] [Telefone]
Paciente: [NOME COMPLETO]
Endereço do paciente: [ENDEREÇO COMPLETO]
[NOME DO MEDICAMENTO — apresentação — quantidade em algarismos e por extenso]
[Posologia]
Data: [DATA] Assinatura e carimbo: ____________________
Perguntas frequentes
Posso substituir a receita C por uma receita comum de medicamento não controlado?
Não. Mesmo sendo branca, a receita de controle especial (C) tem exigências próprias — duas vias, dados completos do paciente e do prescritor — diferentes de uma receita simples.
O talão de receita B eu compro pronto ou peço à Vigilância Sanitária?
Você solicita numeração e talão à Vigilância Sanitária do seu estado. O talão já vem numerado e vinculado ao seu CRM, não é impresso avulso comprado em papelaria.
Uma prescrição pode ter medicamentos de listas diferentes na mesma folha?
Não. Cada notificação ou receita é exclusiva para medicamentos da mesma lista de controle — não dá para misturar A e C, por exemplo, no mesmo impresso.
Prescrição correta depende de anamnese e lista de medicações em uso bem registradas — o escriba de IA da Solara organiza isso a partir do que foi dito na consulta, reduzindo o risco de esquecer uma interação medicamentosa.
Fontes: Anvisa — Medicamentos sujeitos a controle especial, Farmácia Popular / Ministério da Saúde.