TFD: o que é o Tratamento Fora de Domicílio e como pedir
TFD é a sigla de Tratamento Fora de Domicílio: o mecanismo do SUS que custeia deslocamento, e às vezes hospedagem e alimentação, de um paciente que precisa ser tratado em outro município ou estado porque o serviço necessário não existe onde ele mora. Quem abre a porta de entrada é o médico assistente, com um laudo — e é aí que a maioria das solicitações emperra.
Quem tem direito ao TFD
O TFD vale para paciente do SUS que precisa de assistência à saúde indisponível no seu município de origem, quando:
- Os recursos diagnósticos e terapêuticos locais e da região já foram esgotados.
- O deslocamento necessário costuma ultrapassar a distância mínima definida pelo gestor local (referência histórica de 50 km, mas cada estado regulamenta o próprio fluxo).
- O tratamento é vinculado à rede SUS ou conveniada no destino, dentro do fluxo de regulação.
O benefício cobre transporte (terrestre, aéreo ou fluvial, conforme a necessidade clínica) e, quando previsto pelo gestor, ajuda de custo para alimentação e pousada do paciente e de um acompanhante.
O papel do laudo do médico assistente
A solicitação nasce no laudo médico, preenchido pelo profissional que acompanha o paciente na unidade de origem. Sem esse documento bem construído, a comissão de regulação devolve o pedido ou demora para decidir. O laudo precisa trazer:
- Diagnóstico e resumo da história clínica relevante para justificar o deslocamento.
- Procedimento pretendido, com o código SIGTAP quando aplicável.
- Justificativa objetiva da indisponibilidade local — o que já foi tentado ou descartado na origem.
- Tipo de transporte exigido pela condição clínica (ambulância, veículo comum, aéreo).
- Necessidade de acompanhante, com justificativa (idade, gravidade, dependência de cuidados).
Como funciona a autorização
- O médico assistente preenche o laudo na unidade vinculada ao SUS.
- O setor de regulação municipal encaminha à comissão de TFD (municipal ou estadual, conforme o caso).
- Para deslocamento dentro do estado, a comissão estadual costuma decidir; para fora do estado, entra a análise da Comissão Médica de Regulação Estadual do destino.
- Aprovado, o paciente recebe a autorização, o meio de transporte e a data agendada no serviço de referência.
- Negado, o gestor deve informar o motivo — cabe recurso com documentação complementar.
Modelo de laudo para solicitação de TFD
LAUDO MÉDICO PARA SOLICITAÇÃO DE TFD
Paciente: [NOME COMPLETO]
Cartão SUS (CNS): [NÚMERO]
Município de origem: [CIDADE/UF]
Município de destino pretendido: [CIDADE/UF]
Diagnóstico principal (CID): [CÓDIGO E DESCRIÇÃO]
Resumo da história clínica: [DESCREVER]
Procedimento/atendimento solicitado: [DESCREVER]
Código SIGTAP (se aplicável): [CÓDIGO]
Justificativa da indisponibilidade na origem/região:
[DESCREVER RECURSOS JÁ ESGOTADOS OU INEXISTENTES LOCALMENTE]
Meio de transporte indicado: [ ] Terrestre [ ] Aéreo [ ] Fluvial
Justificativa clínica do transporte: [DESCREVER]
Necessidade de acompanhante: [ ] Sim [ ] Não
Se sim, justificativa: [DESCREVER]
Caráter: [ ] Eletivo [ ] Urgência
_______________________________
Dr(a). [NOME] — CRM [UF] [NÚMERO]
Unidade: [NOME DA UNIDADE]
Data: [DD/MM/AAAA]
Perguntas frequentes
O TFD cobre tratamento em serviço particular?
Não. O TFD só se aplica a atendimento dentro da rede SUS ou conveniada ao SUS no destino, dentro do fluxo de regulação — não financia atendimento em serviço privado fora dessa rede.
Quanto tempo demora a autorização?
Não há prazo nacional único; cada gestor estadual ou municipal define o próprio fluxo e prazo de análise. Casos de urgência costumam ter via mais rápida, mas isso também depende do regulamento local.
O paciente pode escolher o hospital de destino?
Não diretamente — o destino é definido pela comissão de regulação, conforme a disponibilidade de vaga e a referência técnica para o caso, e não por preferência do paciente ou do médico solicitante.
Preencher esse laudo bem, sem perder o fio da história clínica do paciente no meio da correria da consulta, é o tipo de tarefa que a Solara ajuda a sustentar — a anamnese e a evolução ficam registradas de forma estruturada, prontas para virar a base de um laudo como esse.