Modelo de anamnese em cirurgia pediátrica: roteiro pronto
Cirurgia pediátrica exige perguntas que a anamnese de adulto não cobre: história gestacional e do parto, desenvolvimento neuropsicomotor, vacinação e a possibilidade de malformação associada ainda não diagnosticada. Um roteiro fixo evita esquecer esses pontos quando quem responde é o acompanhante, não o paciente, e a consulta é curta.
O que muda em relação à anamnese cirúrgica do adulto
Aqui a história pregressa começa antes do nascimento. Gestação (intercorrências, uso de medicamentos, infecções), tipo de parto, Apgar, tempo de internação neonatal e intercorrências no período neonatal ajudam a rastrear cardiopatia congênita não corrigida, disrafismo oculto ou distúrbio de coagulação hereditário — achados que mudam o risco anestésico-cirúrgico e nem sempre aparecem se ninguém perguntar diretamente.
Vacinação importa de um jeito específico: varicela e influenza recentes têm implicações em cirurgia eletiva (janela de espera), e a caderneta costuma estar com o acompanhante, não no prontuário. Alergia a látex merece pergunta própria — é mais comum em crianças com múltiplas cirurgias prévias, como as com mielomeningocele.
Desenvolvimento e crescimento entram na anamnese, não só no exame físico
Marcos de desenvolvimento (sustentação cefálica, marcha, fala) e curva de peso/estatura orientam risco cirúrgico e ajuste de conduta pós-operatória, além de servirem de linha de base para comparar a recuperação. Registrar isso na anamnese — não deixar para "ver depois" — evita retrabalho na hora de redigir o sumário de alta.
Roteiro completo para copiar
ANAMNESE - CIRURGIA PEDIÁTRICA
1. IDENTIFICAÇÃO
Nome: [NOME] | Idade: [IDADE] | Responsável: [NOME DO RESPONSÁVEL]
Peso atual: [PESO] kg | Estatura: [ESTATURA] cm
2. QUEIXA E DURAÇÃO
[QUEIXA PRINCIPAL, EM PALAVRAS DO ACOMPANHANTE] - [TEMPO DE EVOLUÇÃO]
3. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL
[EVOLUÇÃO DOS SINTOMAS, TRATAMENTOS JÁ TENTADOS, EXAMES PRÉVIOS]
4. HISTÓRIA GESTACIONAL E PERINATAL
Gestação: [PLANEJADA/NÃO, INTERCORRÊNCIAS, USO DE MEDICAMENTOS]
Parto: [TIPO] | IG ao nascer: [SEMANAS] | Apgar: [1º MIN / 5º MIN]
Internação neonatal: [SIM/NÃO - MOTIVO E DURAÇÃO]
5. DESENVOLVIMENTO E CRESCIMENTO
Marcos: [SUSTENTAÇÃO CEFÁLICA / MARCHA / FALA - IDADES]
Curva de peso/estatura: [PERCENTIL OU DESVIO OBSERVADO]
6. VACINAÇÃO
Caderneta em dia: [SIM/NÃO] | Últimas doses de vacina de vírus vivo: [DATA]
7. ANTECEDENTES PATOLÓGICOS E CIRÚRGICOS
Cirurgias prévias: [QUAIS, QUANDO, INTERCORRÊNCIAS ANESTÉSICAS]
Internações: [MOTIVO, QUANDO]
Doenças crônicas: [QUAIS]
8. ALERGIAS
Medicamentos: [QUAL, REAÇÃO] | Látex: [SIM/NÃO] | Alimentar: [QUAL]
9. HISTÓRIA FAMILIAR
Malformações congênitas na família: [SIM/NÃO - QUAL PARENTESCO]
Distúrbio de coagulação ou reação anestésica na família: [SIM/NÃO]
10. MEDICAÇÕES EM USO
[NOME, DOSE, HORÁRIO - INCLUIR ÚLTIMA DOSE ANTES DA CIRURGIA]
11. JEJUM E VIA AÉREA (SE ELETIVA)
Última refeição: [HORÁRIO] | Histórico de ronco/apneia do sono: [SIM/NÃO]
12. EXAME FÍSICO DIRECIONADO
Estado geral: [ ] | Ausculta cardíaca: [ ] | Ausculta pulmonar: [ ]
Abdome: [ ] | Sinais de má-formação visível: [ ]
13. IMPRESSÃO E CONDUTA
[HIPÓTESE, INDICAÇÃO CIRÚRGICA, NECESSIDADE DE AVALIAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA]
Quando pedir avaliação pré-anestésica formal
Prematuridade, cardiopatia, apneia do sono suspeitada (ou não investigada) e qualquer achado da história gestacional que sugira síndrome genética são motivo para não seguir direto ao bloco sem uma avaliação pré-anestésica dedicada — veja o roteiro em modelo de anamnese pré-anestésica.
Perguntas frequentes
A anamnese cirúrgica pediátrica substitui a avaliação pré-anestésica?
Não. Ela alimenta a avaliação pré-anestésica com dados que o anestesiologista vai aprofundar (via aérea, jejum, classificação ASA), mas não substitui a consulta específica, sobretudo em crianças com comorbidades.
Preciso repetir a anamnese completa em cirurgia de urgência?
Priorize identificação, alergias, última refeição e antecedentes que mudem conduta imediata (cardiopatia, coagulopatia). O restante pode ser completado assim que a estabilização permitir, registrando a limitação no prontuário.
Documentar tudo isso à mão, sob pressão de agenda, é onde a maioria das lacunas nasce — ferramentas como a Solara gravam a consulta e já organizam a anamnese nesses campos, deixando para o médico só revisar e assinar.