Modelo de anamnese em cirurgia torácica: roteiro pronto
A anamnese em cirurgia torácica soma dois eixos que raramente aparecem juntos em outras especialidades: a investigação da doença pulmonar ou mediastinal em si, e a avaliação funcional que decide se o paciente tolera ressecção de parênquima. Este roteiro cobre os dois.
Como se diferencia da anamnese de pneumologia
A anamnese de pneumologia foca no diagnóstico da doença respiratória. Em cirurgia torácica, o mesmo levantamento entra, mas o destino é diferente: você precisa registrar dados que sustentam a decisão cirúrgica — extensão da lesão, função pulmonar residual esperada após a ressecção e comorbidades que elevam o risco de complicação pós-operatória.
Queixa principal e história da doença atual
Caracterize o sintoma-guia: dispneia (classifique a intensidade e o que desencadeia), dor torácica (relação com respiração/tosse), tosse (produtiva ou seca, tempo), hemoptise (volume estimado, frequência) ou achado incidental em exame de imagem. Registre a velocidade de progressão — é o dado que mais influencia a urgência da investigação.
Exposição e história ocupacional
Tabagismo em maços-ano é obrigatório em toda anamnese torácica. Pergunte também sobre exposição a asbesto, sílica, poeiras industriais e histórico de trabalho em mineração ou construção — informação que muda o diagnóstico diferencial e pode ter implicação em notificação e nexo ocupacional.
Antecedentes relevantes
Doença pulmonar prévia (DPOC, tuberculose, fibrose), cirurgias torácicas anteriores, história oncológica pessoal ou familiar, e comorbidades cardiovasculares — a avaliação de risco cirúrgico torácico depende tanto do pulmão quanto do coração.
Avaliação funcional pré-operatória
Anote resultados de espirometria (VEF1, CVF), teste de difusão (DLCO) e capacidade de exercício quando disponíveis — são os três pilares que orientam se o paciente tolera lobectomia, pneumonectomia ou apenas ressecção limitada. Se ainda não foram feitos, é o momento de solicitar.
Exame físico dirigido
Ausculta pulmonar comparativa (murmúrio vesicular, ruídos adventícios, assimetria), expansibilidade torácica, percussão (macicez sugere derrame), cianose, baqueteamento digital e palpação de linfonodos cervicais e supraclaviculares — achado que muda estadiamento em suspeita oncológica.
Roteiro para copiar
ANAMNESE — CIRURGIA TORÁCICA
IDENTIFICAÇÃO: [nome, idade, profissão]
QUEIXA PRINCIPAL: [sintoma + tempo de evolução]
HDA:
- Dispneia: [intensidade, desencadeante, progressão]
- Dor torácica: [localização, relação com respiração/tosse]
- Tosse: [seca/produtiva, tempo]
- Hemoptise: [volume estimado, frequência]
- Achado incidental em imagem: [sim/não — qual exame, quando]
EXPOSIÇÃO E OCUPAÇÃO:
- Tabagismo: [maços-ano, ativo/cessado há X anos]
- Exposição ocupacional: [asbesto, sílica, poeira — tempo de exposição]
ANTECEDENTES:
- Doença pulmonar prévia: [DPOC/TB/fibrose — detalhar]
- Cirurgia torácica prévia: [procedimento, data]
- História oncológica pessoal/familiar: [ ]
- Comorbidade cardiovascular: [ ]
AVALIAÇÃO FUNCIONAL:
- Espirometria: VEF1 ___ CVF ___ (data: ___)
- DLCO: ___
- Capacidade de exercício: [relatada/testada]
EXAME FÍSICO:
- Ausculta: [simétrica/assimétrica, ruídos adventícios]
- Percussão: [normal/macicez — localização]
- Expansibilidade: [preservada/reduzida — lado]
- Linfonodos cervicais/supraclaviculares: [ ]
- Cianose/baqueteamento: [ ]
RISCO CIRÚRGICO:
- Classificação ASA: [ ]
- Extensão de ressecção prevista: [limitada/lobectomia/pneumonectomia]
CONDUTA/PLANO: [exames complementares, estadiamento, especialidade a acionar]
Perguntas frequentes
Preciso repetir a espirometria a cada consulta pré-operatória?
Não. Peça uma espirometria atual (geralmente até 3 meses antes da cirurgia) e registre o resultado na anamnese; repita apenas se houver mudança clínica relevante ou o exame estiver desatualizado para a data da cirurgia.
Como registrar um achado incidental de nódulo pulmonar sem gerar alarme desnecessário no prontuário?
Descreva o achado com dado objetivo do laudo (tamanho, localização, características) e o plano de seguimento definido, sem conclusões diagnósticas antecipadas — isso mantém o registro preciso e evita interpretação equivocada por quem ler depois.
A avaliação de risco cardíaco entra na mesma anamnese ou fica separada?
Registre os antecedentes cardiovasculares na mesma anamnese torácica; se o caso exigir avaliação cardiológica formal antes da cirurgia, documente o encaminhamento e deixe o resultado anexado quando chegar.
Anamnese pré-operatória torácica tem muito campo estruturado e pouca margem para esquecer item — grave a consulta e deixe a Solara organizar o rascunho nesse formato, sobrando tempo para revisar em vez de digitar.