Modelo de laudo de espirometria: estrutura completa

A espirometria só vira informação clínica útil quando o laudo deixa claro três coisas: os valores medidos, se há distúrbio ventilatório e de que tipo, e a gravidade. Sem isso, o exame vira um PDF de números que ninguém reaproveita na consulta seguinte.

O que não pode faltar no laudo

  • Identificação: nome, idade, sexo, peso, altura — os valores previstos dependem dessas variáveis.
  • Qualidade do exame: grau de aceitabilidade e reprodutibilidade das manobras (no mínimo duas manobras aceitáveis e duas reprodutíveis para considerar o teste confiável).
  • Valores absolutos e % do previsto: CVF, VEF1, relação VEF1/CVF, e quando disponível PFE e FEF25-75%.
  • Prova broncodilatadora, se realizada: valores pré e pós, e se houve resposta significativa.
  • Interpretação: presença ou ausência de distúrbio ventilatório, tipo (obstrutivo, restritivo ou misto) e gravidade.
  • Conduta/observação: correlação com quadro clínico, quando pertinente.

Como classificar o distúrbio ventilatório

A relação VEF1/CVF é o primeiro corte: abaixo do limite inferior do normal (na prática, muitos laboratórios ainda usam o corte fixo de 0,7, embora as diretrizes mais recentes prefiram o limite inferior da normalidade ajustado por idade) sugere padrão obstrutivo. CVF e VEF1 reduzidos com relação VEF1/CVF normal ou aumentada apontam para padrão restritivo — que precisa de confirmação com volumes pulmonares (pletismografia), já que a espirometria isolada só sugere restrição.

A gravidade do distúrbio obstrutivo costuma ser graduada pelo VEF1 % do previsto após broncodilatador:

VEF1 % previsto Classificação
≥ 70% Leve
60–69% Moderado
40–59% Moderadamente grave
< 40% Grave

Confira sempre os pontos de corte adotados pelo laboratório ou pela diretriz que seu serviço segue — algumas sociedades usam faixas ligeiramente diferentes.

Modelo de laudo para copiar

LAUDO DE ESPIROMETRIA

Paciente: [NOME]
Idade: [IDADE]   Sexo: [SEXO]
Peso: [PESO] kg   Altura: [ALTURA] cm
Data do exame: [DATA]

QUALIDADE DO EXAME
Grau de aceitabilidade/reprodutibilidade: [A/B/C/D/F]
Número de manobras realizadas: [N]

RESULTADOS (pré-broncodilatador)
                  Medido    % Previsto    Previsto
CVF (L)           [ ]       [ ]%          [ ]
VEF1 (L)          [ ]       [ ]%          [ ]
VEF1/CVF (%)      [ ]       —             [ ]
PFE (L/s)         [ ]       [ ]%          [ ]
FEF25-75% (L/s)   [ ]       [ ]%          [ ]

PROVA BRONCODILATADORA: [ ] Não realizada  [ ] Realizada
Broncodilatador/dose: [MEDICAÇÃO E DOSE]
                  Medido    % Previsto    Variação (%/mL)
CVF (L)           [ ]       [ ]%          [ ]
VEF1 (L)          [ ]       [ ]%          [ ]
Resposta broncodilatadora significativa: [ ] Sim  [ ] Não

CURVA FLUXO-VOLUME: [ ] Morfologia normal  [ ] Alteração sugestiva de [DESCREVER]

INTERPRETAÇÃO
[ ] Espirometria dentro dos limites da normalidade
[ ] Distúrbio ventilatório obstrutivo — gravidade: [LEVE/MODERADO/MODERADAMENTE GRAVE/GRAVE]
[ ] Distúrbio ventilatório restritivo (sugestivo — confirmar com volumes pulmonares)
[ ] Distúrbio ventilatório misto
[ ] Resposta significativa ao broncodilatador

OBSERVAÇÕES / CORRELAÇÃO CLÍNICA
[TEXTO LIVRE]

[NOME DO MÉDICO]
CRM: [NÚMERO]/[UF]

Perguntas frequentes

Espirometria com má qualidade técnica pode ser laudada?

Pode, mas o laudo precisa registrar o grau de aceitabilidade encontrado e ressalvar que a limitação técnica reduz a confiabilidade da interpretação — não é ético laudar como se fosse um exame de grau A quando as manobras não foram reprodutíveis.

A relação VEF1/CVF normal descarta doença pulmonar?

Não sozinha. Um paciente com restrição real pode ter VEF1/CVF normal ou até aumentada, porque tanto CVF quanto VEF1 caem proporcionalmente. A suspeita de restrição pela espirometria sempre pede confirmação com medida de volumes pulmonares.

É preciso repetir o exame se a prova broncodilatadora for positiva?

Não necessariamente no mesmo dia — o resultado positivo já entra no laudo. A repetição depende do acompanhamento clínico, não da espirometria em si.

Transcrever manualmente laudo por laudo consome tempo que poderia ir para o paciente: a Solara grava a consulta e gera a documentação estruturada automaticamente, deixando o laudo pronto para revisão e assinatura.