Modelo de anamnese em radioterapia: roteiro pré-tratamento

Radioterapia começa com uma consulta que decide se, como e com que intenção (curativa ou paliativa) o paciente será tratado — e essa anamnese precisa registrar história oncológica completa, tratamentos prévios e status funcional antes de qualquer planejamento dosimétrico. Um roteiro fixo evita esquecer o dado que muda a conduta do radio-oncologista, como campo de irradiação anterior ou comorbidade que contraindica determinada técnica.

O que a anamnese em radioterapia precisa cobrir

  • Diagnóstico oncológico: tipo histológico, localização primária, estadiamento (TNM) e data do diagnóstico.
  • Tratamentos oncológicos prévios: cirurgia, quimioterapia, radioterapia anterior (campo, dose, data — essencial para não exceder a tolerância tecidual).
  • Intenção do tratamento atual: curativa, adjuvante, neoadjuvante ou paliativa.
  • Status funcional: ECOG ou Karnofsky, para estimar tolerância ao esquema de frações.
  • Comorbidades relevantes à radiossensibilidade: doenças do colágeno, diabetes descompensado, doença pulmonar prévia, marca-passo ou CDI (se o campo for torácico).
  • Sintomas atuais relacionados ao sítio a irradiar (dor, sangramento, disfagia, dispneia).
  • Medicações que interferem no reparo tecidual (anticoagulantes, imunossupressores).
  • Exame físico dirigido ao campo de tratamento e à pele da região.

Por que a dose e o campo de RT prévia são o item mais importante

Reirradiar um paciente sem saber a dose acumulada no tecido é o erro mais grave — e mais evitável — de uma consulta de radioterapia mal documentada: pode significar necrose, fístula ou lesão actínica grave meses depois. Se o paciente não tem em mãos o sumário do tratamento anterior, registre isso explicitamente ("dose e campo prévios não disponíveis, paciente orientado a buscar sumário no serviço de origem") em vez de deixar o campo em branco.

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ANAMNESE — CONSULTA DE RADIOTERAPIA

Identificação: [nome, idade, registro]
Diagnóstico oncológico: [tipo histológico, sítio primário, data do diagnóstico]
Estadiamento (TNM): [T] [N] [M] — estágio [I/II/III/IV]

Tratamentos oncológicos prévios
- Cirurgia: [procedimento, data]
- Quimioterapia: [esquema, ciclos, data de término]
- Radioterapia prévia: [campo, dose total, data] ou "nega"

Intenção do tratamento atual: [curativo / adjuvante / neoadjuvante / paliativo]
Sítio a irradiar: [localização]
Performance status: ECOG [0–4] / Karnofsky [%]

Comorbidades relevantes: [colagenose, DM, DPOC, dispositivo cardíaco implantado, outras]
Medicações em uso: [lista, com destaque para anticoagulantes/imunossupressores]

Sintomas atuais relacionados ao sítio: [dor, sangramento, disfagia, dispneia, outros]

Exame físico dirigido
- Pele do campo a irradiar: [íntegra / lesão / cirurgia recente]
- Achados locorregionais: [linfonodos, massa palpável, outros]

Plano discutido: [técnica proposta, nº de frações previsto, encaminhamentos]

Perguntas frequentes

Preciso repetir toda a história oncológica se já está no prontuário da oncologia clínica?

Resuma o essencial (diagnóstico, estadiamento, tratamentos feitos) e cite a fonte, mas a consulta de radioterapia é um documento próprio — se o caso for auditado ou judicializado, esse registro precisa ser autossuficiente.

ECOG ou Karnofsky: preciso registrar os dois?

Não. Escolha um e use o mesmo ao longo do acompanhamento, para as evoluções ficarem comparáveis. ECOG é mais rápido de aplicar; Karnofsky é mais granular.

Esse roteiro serve para retratamento (reirradiação)?

Serve como base, mas reforce ainda mais o campo "radioterapia prévia" — dose acumulada e intervalo entre tratamentos são o que definem se a reirradiação é tecnicamente viável.

Documentar isso à mão, consulta após consulta, consome um tempo que a maioria dos serviços de radioterapia não tem sobrando. A Solara grava a consulta e organiza a anamnese nesse formato automaticamente, deixando o radio-oncologista livre para o exame físico e a decisão clínica.