Modelo de encaminhamento ao especialista: o que não pode faltar
Um bom encaminhamento poupa o paciente de repetir exames e dá ao especialista o que ele precisa para decidir já na primeira consulta. Um encaminhamento ruim — "encaminho ao cardiologista para avaliação" — devolve o paciente sem resposta e atrasa o cuidado. A diferença está em poucos campos objetivos. Abaixo, um modelo pronto para copiar e o que cada item resolve.
O que transforma um encaminhamento em referência útil
O especialista precisa entender, sem ligar para você, três coisas: o que já foi feito, qual a dúvida concreta e qual a urgência. Encaminhamento não é "passar o caso adiante" — é uma pergunta clínica com contexto suficiente para ser respondida.
Evite o pedido genérico. "Avaliar" não diz nada; "avaliar indicação de cintilografia por dor torácica atípica com ECG normal e fatores de risco" diz tudo.
Modelo de encaminhamento ao especialista para copiar
ENCAMINHAMENTO MÉDICO
Data: [DATA]
De: Dr(a). [NOME] — CRM [UF] [NÚMERO] — [ESPECIALIDADE/UNIDADE]
Para: [ESPECIALIDADE DE DESTINO]
IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE
Nome: [NOME] Data de nascimento: [DATA] Sexo: [ ]
Cartão SUS / convênio: [ ]
MOTIVO DO ENCAMINHAMENTO (a pergunta)
[Ex.: avaliação de indicação cirúrgica para hérnia inguinal
sintomática; conduta em nódulo tireoidiano TI-RADS 4.]
RESUMO CLÍNICO
Queixa e tempo de evolução: [ ]
História relevante: [ ]
Comorbidades: [ ]
Medicações em uso: [ ] Alergias: [ ]
EXAME FÍSICO DIRIGIDO
[Achados pertinentes ao problema]
EXAMES JÁ REALIZADOS (com data e resultado)
[Ex.: USG tireoide 10/05 — nódulo 1,8 cm TI-RADS 4;
TSH 2,1; T4L normal]
HIPÓTESE DIAGNÓSTICA
[ + CID-10, se conferido ]
CONDUTA JÁ INSTITUÍDA
[O que foi tentado e a resposta]
GRAU DE PRIORIDADE
[ ] Eletivo [ ] Prioritário [ ] Urgente — justificativa: [ ]
Assinatura e carimbo / assinatura digital
Como definir a prioridade sem inflar a fila
A classificação de prioridade só funciona se for honesta — marcar tudo como "urgente" desorganiza a regulação e prejudica quem realmente precisa. Use um critério clínico explícito:
| Prioridade | Quando usar |
|---|---|
| Eletivo | Condição estável, sem risco de progressão a curto prazo |
| Prioritário | Risco de piora em semanas, ou dor/limitação significativa |
| Urgente | Suspeita de condição grave que exige avaliação em dias |
Quando marcar urgente, escreva por quê. "Urgente: emagrecimento de 8 kg em 2 meses + disfagia progressiva" sustenta a classificação; um carimbo "urgente" sozinho, não.
Contrarreferência: feche o ciclo
O encaminhamento ideal pede retorno. Inclua uma linha solicitando a contrarreferência — o relato do especialista com diagnóstico e plano — para que você dê seguimento. Sem isso, o paciente vira mensageiro de condutas que ninguém coordena.
Perguntas frequentes
Preciso colocar o CID no encaminhamento?
Ajuda, desde que seja a hipótese conferida — não chute o código. Na regulação pública, muitos protocolos pedem CID para classificar a fila. Se não tiver certeza do código, descreva a hipótese por extenso.
Encaminhamento pode substituir o prontuário?
Não. É um documento de comunicação entre médicos; o registro do atendimento continua no prontuário. Guarde uma cópia ou referência do que foi encaminhado.
Posso encaminhar sem ter feito exame nenhum?
Pode, quando a própria investigação é a competência do especialista. Mas registre o raciocínio: o que você considerou e por que a avaliação especializada é o próximo passo lógico.
Montar o resumo clínico a cada encaminhamento é repetitivo, ainda mais quando os dados já estão na evolução. A Solara estrutura o registro da consulta e facilita reaproveitar esse conteúdo no encaminhamento — veja como. Padronize o modelo na sua unidade: quando todos usam os mesmos campos, a referência e a contrarreferência deixam de se perder.