Modelo de evolução em oncologia clínica: SOAP de retorno
A evolução ambulatorial em oncologia clínica precisa mostrar, de uma consulta para a outra, três coisas: como o paciente está funcionalmente, o que o tratamento causou e o que foi decidido a partir disso. O modelo abaixo organiza esse registro em SOAP.
O que o registro oncológico precisa mostrar
Diferente de uma evolução genérica, o retorno oncológico depende de dados que se acumulam ao longo do tratamento:
- Diagnóstico e estadiamento no cabeçalho, para que qualquer leitor se situe sem abrir o prontuário inteiro.
- Linha de tratamento e ciclo atual, com data de início do esquema.
- Estado funcional (por exemplo, ECOG) comparado ao da consulta anterior.
- Toxicidades registradas com grau, usando a mesma escala em todas as consultas (muitos serviços usam o CTCAE).
- Avaliação de resposta: exames de imagem ou marcadores, com data e comparação.
Para a primeira consulta, use o modelo de anamnese em oncologia. Para a sessão de infusão em si, há o modelo de evolução em quimioterapia; este aqui é voltado à consulta de seguimento.
Modelo de evolução (copie e adapte)
EVOLUÇÃO – ONCOLOGIA CLÍNICA (RETORNO)
Data: [DD/MM/AAAA]
Paciente: [NOME] Idade: [ANOS]
Diagnóstico: [NEOPLASIA – HISTOLOGIA] Estadiamento: [ESTADIO / TNM]
Tratamento atual: [ESQUEMA / TERAPIA] Linha: [Nª] Ciclo: [Nº] Início: [DD/MM/AAAA]
Intenção do tratamento: [CURATIVA / ADJUVANTE / NEOADJUVANTE / PALIATIVA]
S – SUBJETIVO
Como se sentiu desde o último ciclo: [TEXTO LIVRE]
Sintomas relacionados à doença: [RELATO]
Sintomas relacionados ao tratamento: [NÁUSEA / FADIGA / NEUROPATIA / OUTROS]
Dor (escala 0–10): [VALOR] Apetite / perda de peso: [RELATO]
Intercorrências, idas ao pronto-socorro, internações: [RELATO]
O – OBJETIVO
ECOG: [0–4] (anterior: [0–4])
Peso: [kg] PA: [mmHg] FC: [bpm] Temp.: [°C]
Exame físico: [ACHADOS RELEVANTES]
Toxicidades (grau): [TOXICIDADE – GRAU]
Exames laboratoriais: [HEMOGRAMA, FUNÇÃO RENAL/HEPÁTICA – DATA E VALORES]
Exames de imagem / marcadores: [EXAME – DATA – RESULTADO]
A – AVALIAÇÃO
Resposta ao tratamento: [RESPOSTA / ESTABILIDADE / PROGRESSÃO / NÃO AVALIADA]
Tolerância: [RESUMO DAS TOXICIDADES E IMPACTO]
[Raciocínio clínico em 2–3 linhas]
P – PLANO
Seguimento do esquema: [MANTER / AJUSTAR – MOTIVO]
Exames solicitados: [LISTA]
Suporte: [SERVIÇO / EQUIPE ENVOLVIDA]
Discussão em reunião multidisciplinar: [SIM / NÃO – DATA]
Retorno: [PRAZO]
Assinatura / CRM: [NOME – CRM/UF]
Boas práticas de preenchimento
Escreva a intenção do tratamento em todas as consultas. É um dado que muda a leitura de todo o resto e costuma ser omitido.
Registre o ECOG sempre com o valor anterior ao lado. A comparação é o que importa, e o número isolado diz pouco.
Em toxicidades, escreva o termo e o grau, não apenas "tolera bem". Esse texto vago não ajuda quem assume o caso e tampouco sustenta uma justificativa de ajuste de dose.
Checklist antes de assinar
| Item | Conferido |
|---|---|
| Diagnóstico, estadiamento e intenção no cabeçalho | [ ] |
| Ciclo e linha atualizados | [ ] |
| ECOG atual e anterior | [ ] |
| Toxicidades com grau | [ ] |
| Resposta ou pendência de reavaliação | [ ] |
| Decisão sobre o esquema justificada | [ ] |
Perguntas frequentes
Posso usar este modelo na internação?
Para enfermaria, prefira um formato diário, como o modelo de evolução de enfermaria. Este é pensado para o ambulatório.
Como registrar a discussão de prognóstico?
Anote que a conversa ocorreu, quem estava presente e o que o paciente demonstrou ter compreendido, em linguagem objetiva. Evite transcrever a conversa inteira.
Precisa registrar o que o paciente recusou?
Sim. Recusas de exame ou de tratamento devem constar com a data e a informação que foi dada na ocasião.
Registro oncológico sem retrabalho
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