Modelo de laudo de angiofluoresceinografia: estrutura pronta

Laudo de angiofluoresceinografia (AGF) descreve, por olho e por fase do exame, onde a fluoresceína passa, vaza, acumula ou deixa de passar, e termina com uma conclusão descritiva. Segue a estrutura para copiar e adaptar.

Como organizar o laudo

A AGF avalia a circulação retiniana e coroidiana após injeção intravenosa de fluoresceína sódica. O laudo útil responde, olho a olho, a quatro perguntas: a perfusão está preservada? Há vazamento? Há acúmulo de corante? Há bloqueio da fluorescência?

Descreva primeiro o que é normal em cada fase e depois os achados. Para cada alteração, localize (polo posterior, arcada, periferia, região macular), dimensione quando possível e diga o comportamento ao longo das fases.

Fases do exame

  • Pré-injeção (controle): imagens sem corante para detectar autofluorescência e pseudofluorescência.
  • Fase arterial / coroidiana inicial: preenchimento das artérias retinianas e dos coriocapilares.
  • Fase arteriovenosa: preenchimento capilar e laminar das veias.
  • Fase venosa: veias completamente preenchidas.
  • Fases tardias: observação de vazamento persistente, acúmulo (pooling) e coloração tecidual (staining).

Vocabulário descritivo

Termo Significado no laudo
Hiperfluorescência por vazamento Corante extravasa e aumenta de área e intensidade nas fases tardias
Pooling Acúmulo em espaço anatômico (por exemplo, sub-retiniano)
Staining Coloração de estrutura, como drusa ou cicatriz
Defeito em janela Hiperfluorescência por atrofia do epitélio pigmentar, sem aumento tardio
Hipofluorescência por bloqueio Sangue, pigmento ou exsudato que impede a visualização da fluorescência
Hipofluorescência por não perfusão Falta de preenchimento vascular

Modelo para copiar

LAUDO DE ANGIOFLUORESCEINOGRAFIA

Paciente: [NOME COMPLETO]        Data de nascimento: [DD/MM/AAAA]
Data do exame: [DD/MM/AAAA]      Solicitante: [NOME DO MÉDICO] – CRM [UF] [NÚMERO]
Indicação clínica: [EX.: EDEMA MACULAR EM DIABETES / SUSPEITA DE NEOVASCULARIZAÇÃO]
Olhos examinados: [OD / OE / AO]
Dilatação pupilar: [SIM, COM COLÍRIO UTILIZADO / NÃO]
Intercorrências na injeção: [NENHUMA / DESCREVER]

TÉCNICA
Equipamento: [MODELO/RETINÓGRAFO]
Corante: fluoresceína sódica por via endovenosa
Registro: [IMAGENS DE CONTROLE, FASES PRECOCES, INTERMEDIÁRIAS E TARDIAS]
Qualidade das imagens: [BOA / REGULAR, COM LIMITAÇÃO POR OPACIDADE DE MEIOS / RUIM]

ACHADOS – OLHO DIREITO
Imagem de controle: [SEM AUTOFLUORESCÊNCIA / ACHADOS]
Fase arterial: [PREENCHIMENTO ARTERIAL SIMÉTRICO / ATRASO LOCALIZADO EM ...]
Fase arteriovenosa e venosa: [CALIBRE E PREENCHIMENTO VENOSO NORMAIS / ALTERAÇÕES]
Mácula: [ZONA AVASCULAR FOVEAL PRESERVADA / ALTERADA, DESCREVER; VAZAMENTO FOCAL / DIFUSO / CÍSTICO / AUSENTE]
Polo posterior e arcadas: [MICROANEURISMAS / AUSENTES; ÁREAS DE NÃO PERFUSÃO / AUSENTES]
Periferia visualizada: [SEM ALTERAÇÕES / ÁREAS DE NÃO PERFUSÃO; NEOVASOS COM VAZAMENTO / AUSENTES]
Disco óptico: [SEM HIPERFLUORESCÊNCIA / HIPERFLUORESCÊNCIA TARDIA, DESCREVER]
Fases tardias: [SEM VAZAMENTO RESIDUAL / VAZAMENTO PERSISTENTE EM ...; STAINING / POOLING EM ...]

ACHADOS – OLHO ESQUERDO
[REPETIR A ESTRUTURA ACIMA]

CONCLUSÃO
OD: [ACHADO PRINCIPAL EM LINGUAGEM DESCRITIVA]
OE: [ACHADO PRINCIPAL EM LINGUAGEM DESCRITIVA]
Achados compatíveis com [HIPÓTESE, SE O SERVIÇO TEM O HÁBITO DE SUGERIR], devendo ser correlacionados com a clínica e com os demais exames.

Data do laudo: [DD/MM/AAAA]
[NOME DO MÉDICO] – CRM [UF] [NÚMERO] – RQE [NÚMERO]

Cuidados ao redigir

  • Descreva antes de interpretar. "Hiperfluorescência progressiva peripapilar" é um achado, "neovascularização de disco" é uma interpretação.
  • Cite a fase em que o achado aparece. O mesmo ponto hiperfluorescente tem significados diferentes se surge no início ou só nas fases tardias.
  • Registre limitações técnicas. Opacidade de meios, pupila mal dilatada e imagem fora de foco mudam o grau de confiança do laudo.
  • Registre intercorrências. Náusea, vômito e reações à fluoresceína devem constar no exame e no prontuário.

Perguntas frequentes

A AGF substitui a OCT?

São exames complementares. A AGF mostra comportamento vascular e vazamento; a OCT mostra morfologia em corte. Cada laudo deve se limitar ao que o seu exame demonstra e remeter ao outro quando ele existir. Veja também o modelo de laudo de OCT de retina.

Preciso registrar o termo de consentimento?

O exame envolve injeção endovenosa de contraste e risco de reação, por isso muitos serviços colhem consentimento e registram a triagem de alergia. Siga o protocolo da sua instituição e anote no laudo que foi obtido.

Posso incluir hipótese diagnóstica na conclusão?

Pode, em linguagem de compatibilidade ("achados compatíveis com..."), sempre sugerindo correlação clínica. O diagnóstico final cabe ao médico assistente.

Onde a Solara ajuda

Para a consulta que antecede o exame, o escriba de IA da Solara registra a anamnese e a indicação a partir do áudio da consulta, e o laudo fica só com o que é do exame.