Modelo de laudo de retinografia: estrutura completa
A retinografia registra em imagem o fundo de olho; o laudo é o que transforma essa imagem em informação clínica utilizável por quem pediu o exame. Um laudo incompleto — "fundo de olho sem alterações" e nada mais — obriga o colega a repetir a avaliação. Abaixo, a estrutura que cobre o que qualquer solicitante (clínico, endocrinologista, neurologista) precisa encontrar de cara.
Retinografia x mapeamento de retina: o que muda no laudo
São exames diferentes e o laudo deve deixar isso explícito no cabeçalho:
- Retinografia: fotografia digital do fundo de olho, registro estático em 2D. Boa para documentação seriada (ex.: acompanhamento de retinopatia diabética) porque permite comparar imagens ao longo do tempo.
- Mapeamento de retina (oftalmoscopia indireta): exame dinâmico, feito ao vivo com oftalmoscópio, que alcança a periferia retiniana com mais detalhe — é o método de escolha para rastrear lesões predisponentes a descolamento de retina.
Muitos serviços fazem os dois na mesma consulta e emitem um laudo único. Se for o caso, identifique no texto qual achado veio de qual método.
Estrutura do laudo
- Identificação: paciente, data, olho examinado (OD/OE/AO), midríase (sim/não e com qual fármaco).
- Técnica: retinografia colorida, mapeamento sob midríase, campo do exame.
- Disco óptico (papila): coloração, contorno, relação escavação/disco (E/D).
- Mácula: reflexo foveal, presença de drusas, alterações pigmentares, edema.
- Vasos retinianos: calibre, cruzamentos arteriovenosos, tortuosidade, hemorragias.
- Periferia retiniana: degenerações, roturas, áreas de tração, descolamentos.
- Conclusão: síntese objetiva — achados relevantes ou "sem alterações dignas de nota" — e sugestão de conduta quando pertinente (ex.: reavaliação em [PRAZO]).
Modelo para copiar
LAUDO DE RETINOGRAFIA / MAPEAMENTO DE RETINA
Paciente: [NOME]
Data de nascimento: [DATA]
Data do exame: [DATA]
Olho examinado: [ OD ] [ OE ] [ AO ]
Midríase: [ SIM, com (fármaco) ] [ NÃO ]
Método: [ Retinografia colorida ] [ Mapeamento de retina ] [ Ambos ]
DISCO ÓPTICO
Coloração: [DESCREVER]
Contorno: [DESCREVER]
Relação E/D: [VALOR]
MÁCULA
Reflexo foveal: [PRESENTE/AUSENTE]
Alterações: [DESCREVER OU "sem alterações"]
VASOS RETINIANOS
Calibre e trajeto: [DESCREVER]
Cruzamentos arteriovenosos: [DESCREVER OU "sem alterações"]
PERIFERIA RETINIANA
Achados: [DESCREVER OU "sem lesões predisponentes identificadas"]
CONCLUSÃO
[SÍNTESE DOS ACHADOS]
Sugestão: [CONDUTA / REAVALIAÇÃO EM PRAZO, SE APLICÁVEL]
Dr(a). [NOME] — CRM [NÚMERO]/[UF]
Achados que pedem descrição, não só um rótulo
"Retinopatia leve" sem mais detalhes é pouco útil para quem vai decidir conduta. Descreva o que foi visto — número aproximado de microaneurismas, localização das hemorragias, presença de exsudatos duros — em vez de só nomear o grau. Isso vale sobretudo para retinopatia diabética e hipertensiva, onde a evolução comparada entre exames é o que orienta o seguimento.
FAQ
Retinografia sem midríase serve para laudo formal?
Sim, desde que o laudo registre que o exame foi feito sem midríase — a limitação de campo de visão deve constar, porque interfere na avaliação de periferia.
O laudo de retinografia substitui o exame de mapeamento de retina?
Não. São complementares: a retinografia documenta o polo posterior em imagem; o mapeamento alcança a periferia com mais sensibilidade para lesões predisponentes a descolamento. Um laudo bem feito deixa claro qual dos dois foi realizado.
É preciso citar CID no laudo de retinografia?
Só quando o solicitante exigir para fins de convênio ou perícia, e apenas com o código correspondente ao achado confirmado — não ao exame em si.
Transformar a descrição do fundo de olho em texto corrido consome tempo entre um paciente e outro. Quem já usa a Solara para gerar laudos e documentos a partir do áudio da consulta economiza essa etapa sem abrir mão da estrutura.