Modelo de laudo de histeroscopia: estrutura completa

O laudo de histeroscopia diagnóstica precisa descrever o canal cervical, a cavidade uterina e o endométrio com objetividade suficiente para orientar biópsia dirigida ou decisão cirúrgica. Organizar os achados estruturais pela classificação PALM-COEIN facilita tanto o seguimento quanto a comunicação com o colega que vai operar a paciente.

O que não pode faltar no laudo

  • Indicação clínica (sangramento uterino anormal, infertilidade, avaliação de pólipo ou mioma, perda gestacional recorrente).
  • Técnica: meio de distensão (soro fisiológico ou CO2), óptica utilizada, histeroscópio rígido ou flexível.
  • Canal cervical: permeabilidade, estenose, achados associados.
  • Cavidade uterina: forma, volume, septos, sinéquias.
  • Endométrio: espessura aparente, padrão de superfície, vascularização.
  • Óstios tubários: visualizados ou não, bilateralmente.
  • Achados focais (pólipo, mioma submucoso, sinéquia, septo) com localização, tamanho e base de implantação.
  • Biópsia realizada ou não, e local exato.
  • Intercorrências do procedimento.
  • Conclusão objetiva, com classificação estrutural quando aplicável.

Classificando os achados: PALM-COEIN e mioma submucoso

O sistema PALM-COEIN organiza as causas estruturais e não estruturais de sangramento uterino anormal. Na histeroscopia, os achados mais relevantes caem na parte estrutural (PALM):

Categoria Sigla O que descrever no laudo
Pólipo P Localização, tamanho, base (séssil ou pediculada)
Adenomiose A A histeroscopia tem sensibilidade limitada isolada; registrar suspeita se houver achado sugestivo
Leiomioma L Classificar o mioma submucoso pelo grau de penetração intramural (tipo 0, 1 ou 2)
Malignidade/hiperplasia M Aspecto endometrial suspeito e indicação de biópsia dirigida

Para o mioma submucoso, o grau de penetração muda a conduta cirúrgica: tipo 0 é totalmente intracavitário, tipo 1 tem menos de 50% de componente intramural, e tipo 2 tem 50% ou mais dentro do miométrio — por isso vale registrar o tipo mesmo quando a decisão de operar fica para outra consulta.

Modelo pronto para copiar

LAUDO DE HISTEROSCOPIA DIAGNÓSTICA

Paciente: [NOME]
Data do exame: [DATA]
Indicação clínica: [SUA / INFERTILIDADE / AVALIAÇÃO DE PÓLIPO-MIOMA / OUTRA]

TÉCNICA
Meio de distensão: [SORO FISIOLÓGICO / CO2]
Histeroscópio: [RÍGIDO / FLEXÍVEL] — óptica [X]°

CANAL CERVICAL
[PÉRVIO SEM INTERCORRÊNCIAS / ESTENOSE / OUTRO ACHADO]

CAVIDADE UTERINA
Forma: [REGULAR / IRREGULAR]
Volume: [NORMAL / AUMENTADO / REDUZIDO]
Septos ou sinéquias: [AUSENTES / DESCREVER]

ENDOMÉTRIO
Espessura aparente: [FINO / PROLIFERATIVO / SECRETOR / IRREGULAR]
Vascularização: [PADRÃO NORMAL / ATÍPICA]

ACHADOS FOCAIS
[AUSENTES / PÓLIPO: LOCALIZAÇÃO, TAMANHO, BASE / MIOMA SUBMUCOSO TIPO 0-1-2: LOCALIZAÇÃO, TAMANHO]

ÓSTIOS TUBÁRIOS
[VISUALIZADOS BILATERALMENTE / NÃO VISUALIZADOS / UNILATERAL]

BIÓPSIA
[NÃO REALIZADA / REALIZADA EM (LOCAL)]

INTERCORRÊNCIAS
[NENHUMA / DESCREVER]

CONCLUSÃO
[RESUMO DOS ACHADOS E CLASSIFICAÇÃO PALM-COEIN QUANDO APLICÁVEL]

Médico responsável: [NOME - CRM]

Perguntas frequentes

A histeroscopia diagnóstica pode ser feita em consultório, sem anestesia?

Sim, a histeroscopia diagnóstica ambulatorial (office histeroscopy) é rotina em consultório com histeroscópios de calibre fino, geralmente sem necessidade de anestesia geral. A histeroscopia cirúrgica, para ressecar pólipo ou mioma, costuma exigir centro cirúrgico.

Preciso descrever o mioma pelo tipo 0/1/2 mesmo se a paciente não for operar agora?

Vale registrar sempre que der para avaliar — essa classificação é o que o cirurgião vai usar depois para decidir entre ressecção histeroscópica única ou estagiada, e refazer a avaliação em outra consulta custa tempo e desconforto à paciente.

Qual a diferença entre esse laudo e o de videohisteroscopia cirúrgica?

Este modelo é para o procedimento diagnóstico. O laudo cirúrgico precisa acrescentar o material ressecado, o método (alça, morcelador), o volume de líquido de distensão infundido e balanço hídrico, e o destino da peça para anatomopatológico.

Redigir esse laudo estruturado consome minutos que poderiam ir para a próxima paciente da agenda; a Solara grava a consulta e organiza a documentação clínica automaticamente, mantendo o padrão do laudo sem digitação manual.