Termo de consentimento para transfusão sanguínea: modelo
Transfusão de sangue e hemocomponentes é um procedimento invasivo com risco real de reação transfusional — por isso exige um termo de consentimento próprio, separado do consentimento cirúrgico geral. A RDC Anvisa nº 34/2014, que regula os serviços de hemoterapia e os procedimentos transfusionais em serviços de saúde, exige rastreabilidade entre a identificação do paciente e o termo assinado. Um consentimento cirúrgico genérico não cobre essa exigência.
Por que o consentimento cirúrgico geral não é suficiente
O termo de cirurgia cobre os riscos do procedimento cirúrgico em si — anestesia, incisão, infecção. A transfusão tem riscos próprios (reação hemolítica, reação febril não hemolítica, contaminação bacteriana, TRALI, aloimunização) que precisam estar descritos separadamente, mesmo quando a transfusão ocorre dentro de uma cirurgia. Isso vale também para transfusões em contexto clínico (anemia, sangramento, doença hematológica), onde não existe termo cirúrgico algum cobrindo o risco.
O que o termo precisa conter
- Identificação do paciente e do médico assinante (nome e CRM).
- Diagnóstico ou motivo clínico da indicação.
- Hemocomponente(s) especificado(s): concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, plaquetas ou crioprecipitado — não bastar "transfusão de sangue" genérico.
- Riscos possíveis, em linguagem acessível ao paciente.
- Alternativas terapêuticas, quando existirem.
- Declaração de que dúvidas foram esclarecidas.
- Espaço para assinatura do paciente (ou responsável legal, com grau de parentesco) e do médico.
- Data e local — o termo vale para o episódio transfusional, não é permanente.
Modelo copiável
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
PARA TRANSFUSÃO DE SANGUE E HEMOCOMPONENTES
Paciente: [NOME COMPLETO]
Data de nascimento: [DATA] | Prontuário: [NÚMERO]
Médico assinante: [NOME] | CRM: [NÚMERO]/[UF]
Fui informado(a), em linguagem clara, sobre:
1. O diagnóstico que motiva a indicação de transfusão:
[DESCREVER]
2. O(s) hemocomponente(s) a ser(em) transfundido(s):
[ ] Concentrado de hemácias [ ] Plasma fresco congelado
[ ] Concentrado de plaquetas [ ] Crioprecipitado
3. Os riscos possíveis, incluindo reação febril, reação alérgica,
reação hemolítica, contaminação, e, em casos raros, risco de vida.
4. As alternativas terapêuticas disponíveis, quando aplicável:
[DESCREVER OU "não há alternativa no momento"]
5. Que posso recusar o procedimento, e que a recusa e suas
consequências serão documentadas em separado.
Declaro que pude esclarecer minhas dúvidas com o médico assinante
e que concordo, de forma livre e esclarecida, com a transfusão
descrita acima.
[CIDADE], [DATA]
_________________________________________
Assinatura do paciente ou responsável legal
[NOME | RG/CPF | GRAU DE PARENTESCO, SE RESPONSÁVEL]
_________________________________________
Assinatura e carimbo do médico assinante — CRM [NÚMERO]
_________________________________________
Testemunha (quando aplicável)
Quando o paciente recusa
Recusa de transfusão (por convicção religiosa ou outro motivo) não dispensa documentação — pelo contrário, exige registro ainda mais cuidadoso do que foi explicado, da alternativa oferecida e da decisão do paciente. Veja o guia sobre como documentar a recusa de tratamento pelo paciente e o modelo de termo de recusa para estruturar esse registro.
Perguntas frequentes
O termo de transfusão substitui o termo de consentimento cirúrgico?
Não. Se a transfusão ocorre durante uma cirurgia, os dois termos coexistem — cada um cobre riscos diferentes e deve ser assinado separadamente.
Quem assina quando o paciente está inconsciente ou incapaz?
O responsável legal assina, com identificação e grau de parentesco registrados no termo. Em urgência sem responsável localizável, documente a indicação, a tentativa de contato e a justificativa clínica no prontuário.
É preciso um termo novo para cada bolsa transfundida?
Não necessariamente — um termo pode cobrir o episódio transfusional completo (por exemplo, múltiplas bolsas na mesma internação por anemia), desde que o contexto clínico não mude. Nova indicação ou nova internação pedem novo termo.
Documentar esse tipo de termo à mão consome tempo que poderia ir para o paciente. A Solara grava a consulta e organiza a documentação clínica automaticamente, deixando o modelo pronto para revisão — veja em solara.doctor.