TFD x SISREG: qual usar para encaminhar o paciente

SISREG e TFD resolvem problemas diferentes dentro da regulação do SUS, mas os dois aparecem juntos na cabeça de quem precisa encaminhar um paciente para fora da unidade de origem. A regra prática: o SISREG agenda dentro da rede regulada da própria região; o TFD entra quando o tratamento simplesmente não existe na região, e o paciente precisa se deslocar para outro município ou estado, com ajuda de custo.

O que cada um resolve

SISREG TFD
Para que serve Agendar consulta especializada, exame ou leito dentro da rede regulada Custear deslocamento — e, quando previsto, hospedagem e alimentação — quando o tratamento só existe fora do município ou da região
Quando usar Encaminhamento comum dentro do complexo regulador local ou regional Recursos diagnósticos e terapêuticos já esgotados na origem e na região
Quem aciona Médico assistente registra a solicitação no sistema local integrado ao SISREG Médico assistente preenche o laudo específico de TFD
O que o paciente recebe Data, local e horário da consulta, exame ou internação Autorização de transporte e ajuda de custo, além do encaminhamento ao serviço de destino
Documento-chave Solicitação de encaminhamento registrada no prontuário/sistema local Laudo médico de TFD, com diagnóstico, procedimento pretendido e justificativa

Como decidir na prática

  • Se o especialista, exame ou leito necessário existe na rede regulada da própria região — mesmo que a fila demore —, o caminho é o SISREG.
  • Se o recurso simplesmente não existe na região (não é fila, é ausência de serviço) e o paciente precisa viajar para outro município ou estado, o caminho é o TFD.
  • Os dois não são mutuamente exclusivos: um paciente aprovado no TFD ainda pode precisar ser agendado por um sistema de regulação equivalente ao SISREG no município de destino.

Checklist: SISREG ou TFD?

[ ] O serviço ou especialidade necessário EXISTE na rede regulada da região?
    SIM -> SISREG (registre o encaminhamento normalmente)
    NÃO -> siga para o próximo item

[ ] Os recursos diagnósticos e terapêuticos da origem e da região já foram
    esgotados ou descartados?
    NÃO -> reavalie o encaminhamento local antes de pedir TFD
    SIM -> continue

[ ] O deslocamento necessário é para outro município ou estado, com
    necessidade de transporte e possivelmente hospedagem?
    SIM -> preencha o laudo de TFD
    NÃO -> reavalie se o SISREG já resolve

[ ] O laudo tem diagnóstico, procedimento pretendido e justificativa da
    indisponibilidade local bem descritos?

Perguntas frequentes

Posso pedir TFD sem antes tentar o SISREG?

Não deveria. O TFD pressupõe que os recursos da origem e da região já foram esgotados. Documentar essa tentativa no laudo evita que a comissão de regulação devolva o pedido por falta de justificativa.

O TFD já marca a consulta no destino?

Não diretamente. O TFD autoriza e custeia o deslocamento; o agendamento do atendimento no serviço de destino segue o fluxo de regulação daquela localidade, que pode incluir um sistema de regulação equivalente ao SISREG.

Quem decide entre os dois — o médico ou o gestor?

O médico assistente indica a necessidade clínica pelo laudo ou pela solicitação de encaminhamento; a aprovação final e a alocação da vaga ou do recurso de TFD são do complexo regulador ou da comissão de TFD.

Descrever com precisão o que já foi tentado na origem — e por que o caso precisa ir além dela — é o que evita a devolução do pedido, seja no SISREG, seja no TFD. Ter a evolução do paciente já bem documentada ajuda nessa hora, e é esse tipo de registro estruturado que a Solara apoia a partir da consulta gravada, com revisão do médico antes de qualquer envio.