Modelo de anamnese em cirurgia vascular: roteiro pronto

A anamnese em cirurgia vascular precisa render duas coisas ao mesmo tempo: o raciocínio diagnóstico da doença arterial ou venosa e a base para decidir se o paciente aguenta a cirurgia proposta. Abaixo vai um roteiro para copiar e adaptar no seu prontuário.

O que diferencia da anamnese de angiologia

Angiologia trata da doença vascular do ponto de vista clínico. Cirurgia vascular herda a mesma base propedêutica — pulsos, ITB, CEAP — mas soma a avaliação de risco cirúrgico: reserva cardiopulmonar, função renal (contraste em angiografia), histórico de anticoagulação e planejamento de acesso (percutâneo x aberto). Se o paciente não vai para a mesa de cirurgia, o modelo de anamnese em angiologia já resolve.

Identificação e queixa principal

Registre lateralidade (unilateral x bilateral), tempo de evolução e fator desencadeante. Para queixa arterial, quantifique a claudicação em metros/quarteirões e a distância que mudou nos últimos meses — é o dado que mais pesa na indicação cirúrgica.

Fatores de risco cardiovascular

Tabagismo (carga em maços-ano, se parou e há quanto tempo), hipertensão, diabetes, dislipidemia e história familiar de doença arterial precoce. Pergunte também sobre doença coronariana e cerebrovascular já diagnosticadas — o paciente vascular raramente tem doença isolada em um território só.

História da doença atual

  • Arterial: claudicação (distância, alívio ao repouso), dor em repouso (piora com elevação do membro?), lesões tróficas ou úlceras (tempo, tratamento prévio), fatores de piora.
  • Venosa: edema (horário de piora), varizes (tempo, progressão), episódios prévios de TVP ou tromboflebite, uso de meia elástica.
  • Aneurismática: achado incidental ou sintomático (dor abdominal/lombar), história familiar de aneurisma.

Antecedentes relevantes para o planejamento cirúrgico

Cirurgias vasculares prévias (bypass, angioplastia, endarterectomia — local e data), uso de antiagregantes/anticoagulantes, função renal conhecida, alergia a contraste iodado e comorbidades cardiopulmonares que mudam o risco anestésico.

Exame físico dirigido

Palpação de pulsos (radial, femoral, poplíteo, tibial posterior, pedioso) com escala de amplitude, ausculta de sopros (carotídeo, abdominal, femoral), tempo de enchimento capilar, temperatura e coloração da pele, e inspeção de úlceras ou lesões tróficas com localização e leito descritos.

Roteiro para copiar

ANAMNESE — CIRURGIA VASCULAR

IDENTIFICAÇÃO: [nome, idade, profissão]
QUEIXA PRINCIPAL: [sintoma + tempo de evolução]

HDA:
- Território acometido: [arterial / venoso / linfático]
- Claudicação: [distância em metros, lado, alívio ao repouso: sim/não]
- Dor em repouso: [presente/ausente, piora com elevação do membro]
- Edema: [horário de piora, uni/bilateral]
- Lesão trófica/úlcera: [localização, tempo, tratamento prévio]
- Fator desencadeante/progressão: [descrever]

FATORES DE RISCO:
- Tabagismo: [maços-ano, ativo/cessado há Xanos]
- HAS: [ ] DM: [ ] Dislipidemia: [ ]
- Doença coronariana/cerebrovascular prévia: [ ]
- História familiar de doença arterial/aneurisma: [ ]

ANTECEDENTES CIRÚRGICOS VASCULARES:
[procedimento, local, data]

MEDICAÇÕES EM USO:
- Antiagregante/anticoagulante: [droga, última dose]

EXAME FÍSICO:
- Pulsos (0 a 4+): radial __ femoral __ poplíteo __ tibial post. __ pedioso __
- ITB (se aplicável): D ___ / E ___
- CEAP (se venoso): C__ E__ A__ P__
- Sopros: [ausente/presente — localização]
- Pele/lesão trófica: [descrever leito, bordas, secreção]

RISCO CIRÚRGICO:
- Função renal: [Cr/TFG]
- Alergia a contraste: [ ]
- Classificação ASA: [ ]

CONDUTA/PLANO: [exames complementares, especialidade a acionar, seguimento]

Perguntas frequentes

ITB entra em toda anamnese vascular?

Entra sempre que houver suspeita de doença arterial periférica — claudicação, pulsos diminuídos ou paciente diabético/tabagista assintomático em rastreio. Para doença exclusivamente venosa, o dado central é a classificação CEAP.

Preciso repetir a anamnese completa em cada retorno pré-operatório?

Não. No retorno, atualize apenas o que mudou desde a última consulta: evolução da claudicação, novos sintomas, exames pendentes e ajuste de medicação. A anamnese completa fica arquivada como referência.

Como registrar histórico de múltiplos procedimentos endovasculares?

Liste em ordem cronológica com local, data e resultado (patente, reestenose, oclusão) — isso evita repetir investigação já feita e orienta a escolha do próximo acesso.

Se sua rotina de pré-operatório envolve repetir esse roteiro várias vezes por semana, vale gravar a consulta e deixar a Solara montar o rascunho da anamnese — você revisa e ajusta em vez de digitar tudo do zero.