Modelo de laudo de doppler vascular: estrutura completa
O doppler vascular (eco-Doppler colorido) de membros tem dois laudos completamente diferentes por baixo do mesmo nome: o arterial, que mede fluxo, velocidades e o índice tornozelo-braço (ITB) para rastrear doença arterial periférica, e o venoso, que mapeia refluxo e trombose para classificar insuficiência venosa (CEAP). Confundir a estrutura dos dois é o erro mais comum em laudo copiado de um paciente para outro.
Doppler arterial de membros inferiores
O parâmetro central é o ITB (índice tornozelo-braço) — pressão sistólica no tornozelo dividida pela pressão sistólica braquial, medida com doppler de onda contínua.
| ITB | Interpretação |
|---|---|
| > 1,40 | Vaso não compressível (calcificação — comum em diabéticos) |
| 0,91 – 1,30 | Normal |
| 0,71 – 0,90 | Doença arterial periférica leve |
| 0,41 – 0,70 | Doença arterial periférica moderada |
| ≤ 0,40 | Doença arterial periférica grave |
O eco-Doppler complementa o ITB com velocidades de pico sistólico por segmento (ilíaca, femoral comum, femoral superficial, poplítea, tibiais) — um salto de velocidade > 100% entre segmentos adjacentes indica estenose significativa no ponto.
Doppler venoso de membros inferiores
Aqui o achado central é refluxo (fluxo retrógrado prolongado à manobra de Valsalva ou compressão distal) e trombose (ausência de compressibilidade total do vaso à compressão com o transdutor).
- Refluxo em veia superficial: significativo se > 0,5 segundo.
- Refluxo em veia profunda: significativo se > 1,0 segundo.
- Veia não compressível + ausência de fluxo espontâneo = sinal direto de trombose venosa profunda (TVP) no segmento.
A classificação clínica associada é o CEAP (Clínico-Etiológico-Anatômico-Patofisiológico), do C0 (sem sinais visíveis) ao C6 (úlcera venosa ativa) — o mesmo sistema usado na anamnese de angiologia.
Modelo de laudo pronto para copiar
LAUDO DE ECO-DOPPLER VASCULAR — [ARTERIAL / VENOSO] DE
MEMBROS [INFERIORES/SUPERIORES]
Paciente: [NOME] Idade: [XX anos]
Data do exame: [DD/MM/AAAA]
Indicação clínica: [ex.: claudicação intermitente / suspeita de
TVP / varizes / seguimento pós-operatório]
--- SE ARTERIAL ---
ITB direito: [X,XX] ITB esquerdo: [X,XX]
Velocidades de pico sistólico (cm/s) por segmento:
Ilíaca comum: D [___] E [___]
Femoral comum: D [___] E [___]
Femoral superficial: D [___] E [___]
Poplítea: D [___] E [___]
Tibial posterior: D [___] E [___]
Placas/estenoses: [localização, % estimado de estenose]
CONCLUSÃO: [Exame normal / Doença arterial periférica
(grau, conforme ITB) com estenose de (X%) em (segmento)]
--- SE VENOSO ---
Compressibilidade total: [SIM/NÃO — se não, localizar segmento]
Refluxo (Valsalva/compressão distal):
Safena magna: D [presente/ausente, X,X s] E [___]
Safena parva: D [___] E [___]
Veias profundas: D [___] E [___]
CEAP clínico: [C0-C6]
CONCLUSÃO: [Exame normal / Insuficiência venosa superficial com
refluxo em (veia) / Sinais de TVP em (segmento) — achado agudo,
comunicar ao solicitante]
[LOCAL], [DATA]
[NOME DO MÉDICO] — CRM [UF] [NÚMERO]
Erros que geram laudo inconclusivo
- Reportar ITB sem registrar a técnica (posição do paciente, tempo de repouso antes da medida) — resultado varia com isso e questionamentos de auditoria costumam pedir esse detalhe.
- Misturar estrutura arterial e venosa no mesmo bloco — são exames com lógica diferente; o laudo genérico "sem alterações" sem especificar qual dos dois foi avaliado é insuficiente.
- Não comunicar achado de TVP de forma destacada. Trombose aguda é achado que muda conduta imediata — o laudo deve deixar isso visualmente inequívoco, não perdido no meio do texto.
- Usar CEAP sem o componente anatômico/etiológico quando o pedido for pré-operatório para varizes — o "C" isolado não basta para planejar cirurgia.
Perguntas frequentes
ITB alto (> 1,40) significa que está tudo bem?
Não — geralmente indica vaso não compressível por calcificação arterial (comum em diabéticos de longa data), e nesse caso o ITB não é confiável; considerar índice dedo-braço ou outro método complementar.
Doppler venoso normal descarta TVP com segurança?
Um exame técnico e tecnicamente adequado, com boa janela acústica e compressão de todo o trajeto venoso, tem alta sensibilidade — mas em caso de forte suspeita clínica persistente com exame normal, a reavaliação em 5-7 dias costuma ser considerada.
Preciso repetir o doppler arterial em quanto tempo no seguimento?
Depende do achado inicial e da conduta (clínica vs. intervenção) — não há prazo único; pacientes revascularizados costumam ter protocolo de seguimento mais próximo nos primeiros meses.
Quando o volume de laudos com essa estrutura repetitiva pesa na rotina, a Solara pode ajudar: grava a consulta e organiza a documentação clínica automaticamente, deixando para o médico só a revisão final.