Modelo de laudo de BERA: potencial evocado auditivo
O laudo de BERA (potencial evocado auditivo de tronco encefálico) precisa registrar a técnica usada, as ondas identificadas com suas latências e a interpretação por orelha. Sem a técnica, o resultado não é reprodutível nem comparável. O modelo abaixo cobre as duas finalidades mais comuns: triagem/limiar eletrofisiológico e investigação neurodiagnóstica.
O que o laudo precisa conter
- Indicação: triagem neonatal alterada, suspeita de perda auditiva em criança que não colabora com audiometria, investigação de perda neurossensorial assimétrica, avaliação de via auditiva de tronco.
- Condições do exame: sono natural, sedação ou repouso; quem aplicou sedação, quando houver. Registre também a otoscopia e a condição de orelha média, porque componente condutivo altera latências.
- Técnica: tipo de estímulo (clique ou tone burst), polaridade, taxa de estimulação, intensidade inicial, via (aérea ou óssea) e número de promediações. Copie dos parâmetros do equipamento.
- Resultados por orelha: ondas identificadas (em geral I, III e V), latências absolutas, intervalos interpicos e menor intensidade com resposta reprodutível.
- Interpretação: limiar eletrofisiológico estimado ou integridade da via, sempre com a ressalva de que o BERA não substitui a audiometria comportamental.
Os valores de referência dependem do equipamento, do estímulo e da idade; use as normas do seu serviço e anote qual tabela de normalidade foi usada.
Modelo para copiar
LAUDO DE POTENCIAL EVOCADO AUDITIVO DE TRONCO ENCEFÁLICO (BERA)
Paciente: [NOME] Data de nascimento: [DD/MM/AAAA] Idade: [IDADE]
Data do exame: [DD/MM/AAAA] Solicitante: [NOME DO MÉDICO]
Indicação: [MOTIVO DO EXAME]
Histórico relevante: [FATORES DE RISCO PARA PERDA AUDITIVA, ANTECEDENTES]
CONDIÇÕES DO EXAME
Estado do paciente: [SONO NATURAL / SEDAÇÃO COM ___ / REPOUSO]
Otoscopia: OD [___] OE [___]
Timpanometria (se realizada): OD [___] OE [___]
TÉCNICA
Equipamento: [MODELO] Estímulo: [CLIQUE / TONE BURST ___ Hz]
Polaridade: [___] Taxa: [___]/s Via: [AÉREA / ÓSSEA]
Intensidade inicial: [___] dBnNA Promediações: [___]
Tabela de normalidade utilizada: [REFERÊNCIA]
RESULTADOS
Orelha direita
- Ondas identificadas: [I / III / V]
- Latências absolutas (ms): I [___] III [___] V [___]
- Intervalos interpicos (ms): I-III [___] III-V [___] I-V [___]
- Menor intensidade com resposta reprodutível: [___] dBnNA
Orelha esquerda
- Ondas identificadas: [I / III / V]
- Latências absolutas (ms): I [___] III [___] V [___]
- Intervalos interpicos (ms): I-III [___] III-V [___] I-V [___]
- Menor intensidade com resposta reprodutível: [___] dBnNA
Diferença interaural da onda V: [___] ms
INTERPRETAÇÃO
OD: [RESPOSTAS PRESENTES E DENTRO DO ESPERADO / ATRASO DE LATÊNCIAS /
AUSÊNCIA DE RESPOSTA ATÉ __ dBnNA]
OE: [RESPOSTAS PRESENTES E DENTRO DO ESPERADO / ATRASO DE LATÊNCIAS /
AUSÊNCIA DE RESPOSTA ATÉ __ dBnNA]
CONCLUSÃO
[EX.: Limiar eletrofisiológico estimado em ___ dBnNA à direita e ___ dBnNA à
esquerda. Integridade da via auditiva de tronco encefálico preservada / com
alteração de ___.]
Observação: o BERA não substitui a avaliação audiológica comportamental.
Sugestão: [REPETIR EM __ MESES / CORRELAÇÃO COM AUDIOMETRIA / IMAGEM DE
ENCÉFALO E ÂNGULO PONTOCEREBELAR, A CRITÉRIO DO ASSISTENTE]
[NOME DO MÉDICO] — CRM-[UF] [NÚMERO] — RQE [NÚMERO]
Como redigir a interpretação
Separe o que é limiar do que é integridade de via. Num BERA de limiar, a conclusão é a menor intensidade com onda V reprodutível. Num BERA neurodiagnóstico, a conclusão trata das latências e dos intervalos interpicos e da diferença entre as orelhas.
Evite afirmar o tipo de perda (condutiva ou neurossensorial) apenas pelo BERA se não houver via óssea ou timpanometria no exame. Escreva o que foi medido.
Erros comuns
- Não registrar o estado do paciente (sono, sedação): movimento e ruído mioelétrico reduzem a qualidade do traçado.
- Deixar de anotar a tabela de normalidade usada.
- Concluir "audição normal" a partir de um estímulo único de clique, que não representa todas as frequências.
- Esquecer de registrar a reprodutibilidade das ondas.
Perguntas frequentes
BERA e emissões otoacústicas são a mesma coisa?
Não. As emissões otoacústicas avaliam a função das células ciliadas externas da cóclea; o BERA registra a atividade elétrica ao longo da via auditiva até o tronco encefálico. Costumam ser complementares na triagem e na investigação.
O laudo precisa citar a sedação?
Sim. Registre o fármaco, quem administrou e as condições de monitorização conforme o protocolo do serviço, porque isso integra a documentação do procedimento.
Posso usar o mesmo modelo para adultos e crianças?
A estrutura serve para ambos. O que muda é a tabela de normalidade, que deve considerar a idade, e o estado do paciente durante o exame.
Menos tempo digitando laudos
A Solara ajuda o médico a gerar documentos clínicos a partir da conversa do atendimento, deixando a revisão final com você.