Modelo de laudo de cardiotocografia (CTG): estrutura
O laudo de cardiotocografia (CTG) só cumpre sua função se registrar os parâmetros do traçado de forma padronizada — sem isso, o documento não sustenta a conduta obstétrica tomada a partir dele nem resiste a uma auditoria ou perícia posterior. Abaixo está a estrutura que qualquer leitor (plantonista seguinte, auditoria, processo ético) consegue interpretar sem precisar perguntar nada de volta.
Quando o exame costuma ser solicitado
A CTG é pedida tanto no acompanhamento anteparto quanto no monitoramento intraparto. Situações mais comuns: gestação de alto risco, redução de movimentos fetais percebida pela gestante, gestação pós-termo, suspeita de restrição de crescimento fetal e monitoramento contínuo durante o trabalho de parto. O laudo deve sempre registrar qual dessas indicações motivou o exame — isso contextualiza a interpretação do traçado para quem ler depois.
Os parâmetros que o laudo tem que registrar
Um laudo de CTG incompleto costuma pecar por omitir um destes seis pontos:
- Frequência cardíaca basal — média da FCF numa janela de 10 minutos (normal: 110–160 bpm).
- Variabilidade — ausente, mínima, moderada ou acentuada.
- Acelerações transitórias — presentes ou ausentes, com contagem.
- Desacelerações — ausentes, precoces, variáveis ou tardias, com contagem.
- Contrações uterinas — número em janela de 10 minutos.
- Movimentos fetais — percebidos pela gestante durante o traçado.
Classificação do traçado
Depois de descrever os parâmetros, o laudo precisa fechar com uma classificação — é essa linha que orienta a decisão clínica registrada em seguida. As duas nomenclaturas mais usadas na prática brasileira são a classificação por categorias (I, II e III) e a classificação FIGO (tranquilizador, suspeito, patológico). Escolha uma e mantenha o mesmo padrão em todos os laudos do serviço, para não gerar ambiguidade entre plantões.
Modelo de laudo (copie e adapte)
LAUDO DE CARDIOTOCOGRAFIA (CTG)
Paciente: [NOME]
Idade gestacional: [IG] semanas
Indicação do exame: [INDICAÇÃO]
Tipo de CTG: ( ) Anteparto ( ) Intraparto
Data/hora de início: [DATA] [HORA]
Duração do traçado: [DURAÇÃO] minutos
PARÂMETROS AVALIADOS
Frequência cardíaca basal: [VALOR] bpm
Variabilidade: ( ) Ausente ( ) Mínima ( ) Moderada ( ) Acentuada
Acelerações transitórias: ( ) Presentes — nº [N] ( ) Ausentes
Desacelerações: ( ) Ausentes ( ) Precoces ( ) Variáveis ( ) Tardias — nº [N]
Contrações uterinas (10 min): [N]
Movimentos fetais percebidos pela gestante: ( ) Sim ( ) Não
CLASSIFICAÇÃO DO TRAÇADO
( ) Categoria I / Tranquilizador
( ) Categoria II / Suspeito
( ) Categoria III / Patológico
CONDUTA REGISTRADA A PARTIR DO RESULTADO
[DESCREVER CONDUTA]
Responsável pelo laudo: [NOME DO MÉDICO] — CRM [NÚMERO]
O que costuma faltar e gera questionamento
Três omissões respondem pela maioria dos laudos contestados: duração do traçado não registrada, classificação final ausente (o laudo descreve os parâmetros mas não conclui) e conduta não anotada — o traçado sem a decisão clínica correspondente deixa a auditoria sem saber se algo foi feito com aquele resultado.
Perguntas frequentes
CTG anteparto e intraparto usam o mesmo modelo de laudo?
A estrutura é a mesma, mas no intraparto o registro precisa ser mais frequente e correlacionar desacelerações com as contrações em tempo real — deixe essa correlação explícita no campo de conduta.
O traçado impresso substitui o laudo escrito?
Não. O traçado é o registro gráfico bruto e deve ser arquivado junto ao prontuário; o laudo escrito é a interpretação formal que sustenta a decisão clínica, e um não dispensa o outro.
Se a maternidade ou o plantão obstétrico deixa pouco tempo para redigir laudo, evolução e prontuário no mesmo padrão em cada troca de plantão, o Solara grava a consulta ou a passagem de caso e organiza a documentação clínica automaticamente, sem tirar tempo da assistência.