Modelo de laudo de eletroencefalograma: estrutura completa
O laudo de eletroencefalograma (EEG) documenta a atividade elétrica cerebral registrada durante o exame e orienta a decisão clínica de quem pediu. Sem um roteiro fixo, é fácil esquecer de registrar algum estado do paciente — vigília, sonolência, sono, hiperpneia, fotoestimulação — e isso muda a interpretação de quem lê o laudo depois. Abaixo, um modelo completo, da identificação à conclusão.
Quando usar este modelo
Serve para EEG de rotina (vigília e sono induzido), EEG prolongado e EEG com privação de sono. Não substitui o laudo de vídeo-EEG contínuo, que exige correlação temporal entre crise clínica e traçado e costuma ter estrutura própria do serviço de monitorização.
Estrutura do laudo de EEG
- Identificação: nome, data de nascimento, data do exame, indicação clínica (motivo do pedido).
- Técnica: eletrodos posicionados pelo Sistema Internacional 10-20, montagens utilizadas, duração do registro, estados capturados (vigília, sonolência, sono) e provas de ativação realizadas.
- Atividade de base: frequência dominante occipital, simetria entre hemisférios, reatividade à abertura ocular, organização do traçado.
- Achados: presença ou ausência de atividade epileptiforme (pontas, ondas agudas, complexos ponta-onda), lentificação focal ou difusa, assimetrias, artefatos relevantes.
- Provas de ativação: resposta à hiperpneia e à fotoestimulação intermitente, com as frequências testadas.
- Conclusão: impressão diagnóstica objetiva — normal, alterado (especificando o tipo de alteração) ou inconclusivo — sem repetir os achados já descritos.
Modelo pronto para copiar
LAUDO DE ELETROENCEFALOGRAMA
Paciente: [NOME]
Data de nascimento: [DATA]
Data do exame: [DATA]
Indicação clínica: [MOTIVO DO PEDIDO]
TÉCNICA
Eletrodos posicionados conforme Sistema Internacional 10-20.
Montagens: [LONGITUDINAL BIPOLAR / REFERENCIAL / OUTRA]
Duração do registro: [XX] minutos
Estados capturados: [VIGÍLIA / SONOLÊNCIA / SONO]
Provas de ativação: [HIPERPNEIA / FOTOESTIMULAÇÃO / NENHUMA]
ATIVIDADE DE BASE
Frequência dominante occipital: [XX] Hz, [SIMÉTRICA/ASSIMÉTRICA]
Reatividade à abertura ocular: [PRESENTE/AUSENTE]
Organização: [PRESERVADA/DESORGANIZADA]
ACHADOS
Atividade epileptiforme: [AUSENTE / PRESENTE — descrever localização e morfologia]
Lentificação: [AUSENTE / FOCAL EM (região) / DIFUSA]
Assimetrias: [AUSENTES / DESCREVER]
Artefatos: [AUSENTES / DESCREVER]
PROVAS DE ATIVAÇÃO
Hiperpneia: [SEM ALTERAÇÕES / DESCREVER RESPOSTA]
Fotoestimulação intermitente ([XX] Hz): [SEM ALTERAÇÕES / DESCREVER RESPOSTA]
CONCLUSÃO
[EEG DENTRO DOS LIMITES DA NORMALIDADE / EEG ALTERADO POR (achado principal) / TRAÇADO INCONCLUSIVO — sugerir novo registro se aplicável]
Correlação com o quadro clínico é recomendada.
[NOME DO MÉDICO]
CRM [NÚMERO]/[UF]
Erros comuns que atrapalham o laudo
- Descrever achados na conclusão em vez de resumir a impressão diagnóstica.
- Omitir o estado do paciente durante o registro (um traçado de sono lido como vigília muda tudo).
- Não registrar se as provas de ativação foram feitas — a ausência da informação gera dúvida sobre se o exame está incompleto.
- Usar termos como "normal para a idade" sem detalhar o motivo quando o traçado tem particularidades esperadas (ex.: lactente).
Perguntas frequentes
O laudo de EEG deve citar diagnóstico clínico?
Não. O laudo descreve o traçado e a impressão eletroencefalográfica — o diagnóstico clínico (por exemplo, epilepsia) cabe ao médico assistente, que correlaciona o EEG com a história e o exame físico.
Quem pode assinar o laudo de EEG?
Médico com CRM ativo e capacitação para interpretação de EEG, geralmente neurologista ou neurofisiologista clínico. O laudo deve trazer nome completo, CRM e UF.
Quanto tempo o laudo deve ficar guardado?
Segue a mesma regra de guarda do prontuário médico — no mínimo 20 anos a partir do último registro, conforme orientação do CFM.
Se sua rotina inclui muitos laudos e evoluções por dia, vale automatizar a parte repetitiva: a Solara grava a consulta e gera o rascunho de documentação clínica para você revisar e assinar, sobrando mais tempo para o que exige seu olhar clínico.