Modelo de laudo de manometria esofágica: estrutura

Um laudo de manometria esofágica que não segue a Classificação de Chicago não serve para nada além de descrever números soltos — é essa classificação que transforma pressões e padrões de deglutição em um diagnóstico motor que o cirurgião ou o gastroenterologista consegue usar. Se o seu serviço já faz manometria de alta resolução, vale ter o modelo pronto para não reinventar a estrutura a cada exame.

Para que serve o exame

A manometria esofágica avalia a motilidade do esôfago: a peristalse do corpo esofágico, a função do esfíncter esofágico inferior (EEI) e, nos aparelhos mais completos, do esfíncter superior. É indicada principalmente na investigação de disfagia sem causa estrutural aparente (já afastada por endoscopia), suspeita de acalasia, avaliação pré-operatória de cirurgia antirrefluxo e investigação de dor torácica não cardíaca.

Classificação de Chicago: o que o laudo precisa refletir

A Classificação de Chicago padroniza a leitura da manometria de alta resolução em um fluxograma: primeiro avalia a função de relaxamento do EEI (pela pressão de relaxamento integrada, a IRP), depois classifica o padrão de contração do corpo esofágico. A versão mais recente (4.0) passou a recomendar deglutições tanto em posição supina quanto sentada, além de manobras provocativas — múltiplas deglutições rápidas e teste de deglutição de líquido em grande volume — para aumentar a sensibilidade diagnóstica em casos limítrofes. O laudo deve deixar explícito quais manobras foram realizadas, não só o resultado final.

Estrutura do laudo (modelo)

LAUDO DE MANOMETRIA ESOFÁGICA DE ALTA RESOLUÇÃO

Paciente: [NOME]
Data do exame: [DATA]
Médico solicitante: [NOME]
Indicação clínica: [disfagia / suspeita de acalasia / avaliação pré-operatória /
dor torácica não cardíaca / outro]

TÉCNICA
Cateter de [X] canais de estado sólido, posicionamento via [nasal/oral].
Protocolo: [X] deglutições líquidas de 5 mL em posição supina, [X] deglutições em
posição sentada/vertical.
Manobras adicionais realizadas: [múltiplas deglutições rápidas (MRS) / teste de
deglutição de volume (RDC) / nenhuma]

RESULTADOS
Esfíncter esofágico inferior (EEI):
  Pressão de repouso: [X mmHg]
  Pressão de relaxamento integrada (IRP): [X mmHg]
Corpo esofágico:
  Padrão de peristalse: [normal / peristalse fraca / peristalse ausente / espasmo]
  Contrações prematuras: [presentes/ausentes]
Esfíncter esofágico superior (quando avaliado): [descrição]

CLASSIFICAÇÃO DE CHICAGO
[Diagnóstico motor conforme fluxograma vigente — ex.: acalasia tipo I/II/III,
obstrução da via de saída esofagogástrica, motilidade esofágica inefetiva,
espasmo esofágico distal, ou estudo dentro da normalidade]

IMPRESSÃO DIAGNÓSTICA
[Síntese objetiva do achado motor e correlação sugerida com o quadro clínico]

Responsável técnico: [NOME] — CRM [UF] [NÚMERO] — RQE em Gastroenterologia
[NÚMERO]

O que costuma faltar em laudos incompletos

  • Não informar a IRP separadamente da pressão de repouso do EEI — são medidas diferentes e a Classificação de Chicago usa a IRP como primeiro critério de decisão.
  • Não registrar quais manobras provocativas foram feitas, dificultando a reprodutibilidade do exame em uma reavaliação futura.
  • Dar o diagnóstico motor sem citar o padrão de peristalse do corpo esofágico que sustenta essa conclusão.

Perguntas frequentes

A manometria de alta resolução substitui a convencional?

Na prática clínica atual ela é o padrão preferencial, por gerar um mapa de pressão contínuo ao longo do esôfago com maior número de sensores, o que aumenta a precisão da classificação motora em comparação ao método convencional com poucos canais.

Preciso pedir endoscopia antes da manometria?

Sim, como regra geral — a manometria investiga distúrbio motor funcional, e causas estruturais (estenose, tumor, esofagite) precisam ser afastadas antes por endoscopia digestiva alta.

O laudo deve indicar conduta terapêutica?

Não. O papel do laudo é descrever o achado motor e a classificação correspondente; a decisão terapêutica (dilatação, miotomia, tratamento clínico) é do médico assistente a partir do quadro clínico completo.

Laudos manométricos têm uma estrutura fixa e repetitiva — exatamente o tipo de documento que fica mais rápido de produzir quando o médico só precisa falar os achados e ter o texto organizado automaticamente, que é a proposta da Solara para reduzir o tempo gasto em documentação.