Registro de recuperação pós-anestésica (RPA): modelo com Aldrete

O registro da recuperação pós-anestésica (RPA) documenta o paciente desde a chegada à sala até a liberação para enfermaria, quarto ou domicílio. O núcleo é uma escala de alta aplicada em momentos definidos, como a de Aldrete e Kroulik, mais as intercorrências e quem autorizou a saída. O modelo abaixo organiza o registro; o critério de alta e as condutas seguem o protocolo do seu serviço.

O que o registro da RPA precisa mostrar

  • Admissão: quem trouxe o paciente, qual procedimento e anestesia, e o estado inicial.
  • Reavaliações seriadas: sinais vitais e escala em intervalos fixos, com horário.
  • Intercorrências: dor, náusea, hipotensão, sangramento, agitação, e o que foi feito.
  • Alta da RPA: pontuação final, destino e responsável pela liberação.

Registrar só a pontuação final esconde a trajetória. Se o paciente chegou mal e melhorou, isso precisa estar legível.

Escala de Aldrete e Kroulik

Cinco parâmetros, cada um pontuado de 0 a 2 (total máximo de 10):

Parâmetro 2 pontos 1 ponto 0 ponto
Atividade Move 4 membros Move 2 membros Não move
Respiração Respira e tosse livremente Dispneia ou respiração limitada Apneia
Circulação (PA vs. pré-anestésica) Variação até 20% Variação de 20% a 50% Variação acima de 50%
Consciência Plenamente desperto Desperta ao chamado Não responde
Saturação / cor SpO2 adequada em ar ambiente Precisa de O2 para manter SpO2 SpO2 baixa mesmo com O2

A pontuação mínima para liberar o paciente é definida pelo serviço. Confirme no protocolo local e escreva-a no próprio registro.

Modelo para copiar

REGISTRO DE RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA

Paciente: [NOME]    Prontuário: [NÚMERO]    Data: [DD/MM/AAAA]
Procedimento: [NOME]    Anestesia: [TIPO]
Anestesiologista: [NOME / CRM]    Cirurgião: [NOME]

ADMISSÃO NA RPA — [HH:MM]
Vindo de: [SALA]    Passagem de plantão por: [NOME]
Via aérea/O2: [DESCREVER]    Acessos e drenos: [DESCREVER]
Nível de consciência: [DESCREVER]    Dor: [ESCALA]
PA [VALOR]  FC [VALOR]  FR [VALOR]  SpO2 [VALOR]  Tax [VALOR]
PA pré-anestésica de referência: [VALOR]

REAVALIAÇÕES
| Hora | Ativ. | Resp. | Circ. | Consc. | SpO2/cor | Total | Dor | Náusea | Obs. |
| [HH:MM] | [0-2] | [0-2] | [0-2] | [0-2] | [0-2] | [TOTAL] | [ESCALA] | [S/N] | [OBS] |

INTERCORRÊNCIAS E CONDUTAS
[HORA — EVENTO — CONDUTA — QUEM FOI COMUNICADO] / Nenhuma

CRITÉRIO DE ALTA DO SERVIÇO: [DESCREVER]
ALTA DA RPA — [HH:MM]
Pontuação final: [TOTAL]    Destino: [ENFERMARIA / QUARTO / UTI / DOMICÍLIO]
Orientações registradas ao acompanhante/equipe: [DESCREVER]
Liberado por: [NOME / CRM]
Registro por: [ENFERMAGEM / MÉDICO — NOME E INSCRIÇÃO]

Perguntas frequentes

Quem libera o paciente da RPA?

A responsabilidade pela alta da RPA é, em regra, do anestesiologista, conforme a normatização do CFM sobre anestesia e as rotinas do serviço. Verifique o texto atual no portal do CFM e o regimento do seu hospital.

Aldrete é a única escala possível?

Não. Há outras escalas e critérios de alta, e alguns serviços adotam versões modificadas. Use a que o protocolo local define e identifique-a no registro.

Pacientes que vão direto para a UTI precisam desse registro?

Depende do fluxo do serviço. Se passaram pela RPA, registre; se foram direto da sala, documente a transferência na descrição anestésica e no registro de transferência.

Se a sua equipe dita as reavaliações em vez de digitá-las, a Solara transforma a fala em registro estruturado para revisão.